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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Da Vera: Bolsonaro colhe maior protesto em sua base

Vera Magalhães

A escolha de Augusto Aras para a Procuradoria-Geral da República gerou a pior reação até aqui na base mais fiel do bolsonarismo contra o presidente Jair Bolsonaro. Em tom alarmista, alguns dos principais militantes virtuais do bolsonarismo, sempre prontos a atacar reputações para defender o “Mito”, foram da negação ao desespero desde as notícias do favoritismo de Aras pela sempre demonizada imprensa até sua confirmação. Alguns já declararam seu divórcio em relação ao governo –atitude que pode mudar amanhã se forem “convencidos” dos méritos do escolhido.

Jair Bolsonaro, presidente da República, concede entrevista na portaria principal do Palácio da Alvorada

Foto: Dida Sampaio/Estadão

O rebuliço no núcleo duro do apoio ao presidente neutralizou até o veto robusto que ele fez a 19 artigos da Lei de Abuso de Autoridade. Pela primeira vez as redes sociais mais fiéis foram inclementes com o presidente, em mais um sinal de que a Lava Jato goza de mais prestígio que o presidente –como já mostrou pesquisa Datafolha que mostra popularidade de Sérgio Moro bem maior que a de Bolsonaro.

Somada à imensa rejeição interna do Ministério Público Federal ao fato de Aras ter sido escolhido à revelia da lista tríplice da categoria, a revolta na base pode dificultar a atuação de Aras, mas não deve colocar em xeque suas chances de ser aprovado no Senado. Isso porque ele costurou apoio da base do PSL –que ficou calada com a escolha, sendo que há algumas semanas também fazia campanha contra ele– e também no chamado centrão, que vê excessos da Lava Jato e torce por um PGR menos ligado à operação.