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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Da Vera: Bolsonaro começa a perder os liberais

Vera Magalhães

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As atitudes do presidente Jair Bolsonaro ao longo dos últimos dias, e sobretudo neste domingo, bem como o agravamento da crise do novo coronavírus, com desdobramentos dramáticos para a economia, a política, a vida em sociedade e a saúde pública, levaram a uma perda de apoio ao governo no campo liberal.

Movimentos como o Livres! e partidos como o Novo, de corte liberal, que apoiaram projetos como a reforma da Previdência, passaram a fazer críticas muito mais institucionais e duras ao presidente.

Há nuances aí. O Livres! sempre se distanciou do bolsonarismo, a ponto de desembarcar do PSL na campanha quando o então candidato e sua tropa aportaram por lá. Alguns de seus líderes, como a economista Elena Landau, têm sido críticos inclusive a aspectos da política econômica e à condução de Paulo Guedes, apesar do apoio às reformas.

Já o Novo tem tido postura mais dividida e ambígua. Enquanto uma ala, mais próxima ao ex-presidenciável João Amoêdo, sempre manteve algum distanciamento do governo, a despeito do apoio às reformas, setores como a bancada federal e o governador Romeu Zema sempre andaram numa corda-bamba entre a independência e um desejo de adesão ao governo.

Com a saída de Amoêdo da presidência, ele passou a ser mais incisivo nas críticas a Bolsonaro. Assim como ele, parlamentares como o deputado federal Tiago Mitraud (MG) e o estadual Fábio Osterman (RS), ligados a alguns dos movimentos de renovação da política, também têm sido mais vocais nas críticas a aspectos autoritários do governo.

Economistas liberais também já demonstram dissidências no apoio à agenda de Paulo Guedes como sendo a mais apropriada para enfrentar a crise. Profissionais de diferentes matizes teóricos têm travado nos últimos dias um intenso debate, por meio de artigos e discussões acaloradas nas redes sociais, a respeito da necessidade ou não de se flexibilizar medidas como o teto de gastos para enfrentar o risco de recessão.

Mesmo entre liberais existe quem defenda medidas menos ortodoxas, como foi o caso de André Lara Resende em artigo recente.

Da mesma forma, economistas liberais ainda mais à direita fizeram críticas nas últimas horas ao apoio de Bolsonaro às manifestações e à sua insistência em negar a gravidade da crise do coronavírus. Foi o caso de Carlos Góes, ex-assessor da Casa Civil no governo Michel Temer e presença constante no Twitter com o uso de dados e evidências para defender políticas liberais na economia.