Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Da Vera: Bolsonaro endossa aprendiz de Goebbels

Vera Magalhães

Exclusivo para assinantes

Ao levar para o seu lado o secretário nacional de Cultura, Roberto Alvim, para a live semanal nas redes sociais em que faz sua comunicação direta com os seguidores, Jair Bolsonaro endossou não só as linhas gerais do tal Prêmio Nacional de Cultura como os “valores” defendidos por ele no vídeo em que copia textualmente um trecho de um discurso de Joseph Goebbels para explicar quais são eles.

Foto: Reprodução

Portanto, dificilmente o presidente vai desautorizar o teor da fala do secretário ou admoestá-lo pela estética e pela clara inspiração nazista do prêmio e da fala.

Depois da publicação do vídeo, comentários de colunistas, expoentes da cultura e até artistas simpáticos ao olavismo e ao bolsonarismo, como o cineasta Josias Teófilo, passaram a elucubrar as razões por trás do vídeo.  O próprio guru bolsonarista, o escritor Olavo de Carvalho, tentou se descolar de Alvim. Pelo Facebook, o filósofo da Virgínia escreveu que “é cedo para julgar, mas o Roberto Alvim talvez não esteja bem da cabeça”.

Houve quem achasse que se trata de uma tentativa de Alvim de acelerar um processo de fritura para deixar o posto de maneira estrepitosa. Há quem aposte que ele se sairá com o argumento “supertrunfo” que apoiadores do presidente costumam usar quando suas declarações causam escândalo: dizer que era uma ironia e que foi incompreendido. Teófilo disse que Alvim está passando por problemas pessoais graves e precisa cair já.

Mas a live ao lado do presidente exclui que ele esteja para cair ou forçando uma barra que não tem apoio do Palácio e também joga por terra preventivamente a possibilidade de alegar ter sido irônico, pois ali, ao lado de Bolsonaro e apoiado por ele, o secretário defendeu as mesmas linhas gerais de uma cultura “nacional”, ligada a valores religiosos, e defendeu que haveria uma “curadoria” (que já de cara, em ato falho, disse não ser censura) para retirar certas manifestações culturais da premiação.

Portanto, Alvim tem a chancela de Bolsonaro, o que torna ainda mais grave o pronunciamento eivado de triunfalismo que fez chegar ao País por meio dos canais oficiais da pasta que comanda.