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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Da Vera: Crise do coronavírus mostra diferença de ministro técnico

Vera Magalhães

A forma como o Ministério da Saúde está lidando com uma crise concreta, séria, e com implicações na vida de todas as pessoas do País, na logística do sistema público de saúde e na economia brasileira e global, que é a chegada, ainda não se sabe com que intensidade, dos casos de infecção pelo novo coronavírus ao Brasil, é emblemática de algo que a imprensa cobra desde o início do governo Jair Bolsonaro: a necessidade de uma gestão técnica nas pastas.

Foto: Dida Sampaio/Estadão

O ministro Luiz Henrique Mandetta não é um campeão de popularidade. Nem junto ao presidente. Também não é um usuário assaz das redes sociais, tão em voga no bolsonarismo militante.

Mas sua pasta soube se municiar de informações, dados e protocolos, e está sabendo comunicar de forma eficiente, de forma a não deixar que o pânico tome conta da população, todos os cuidados que devem ser tomados agora que existe um caso comprovado no Brasil.

A montagem da quarentena em Anápolis para os repatriados da China, as entrevistas coletivas diárias com técnicos pacientes e preparados, o envolvimento discreto, mas real, do próprio titular da pasta nas decisões e nas entrevistas a respeito da crise, e a importante decisão de incentivar as pessoas a fazerem isolamento doméstico, em vez de correrem para hospitais –o que aumentaria o risco de o vírus se alastrar, além de levar o caos a um sistema já hipertrofiado– são exemplos de como técnica, uso de dados e evidências e equipe gerencialmente capaz fazem a diferença na administração de políticas públicas.

É inevitável o paralelo com a gestão em outra pasta que cuida de área tão vital, a da Educação. Diante do caos do Enem, o ministro Abraham Weintraub se dedicou e continua se dedicando a mitadas nas redes sociais, de cunho absolutamente ideológico, com o único intuito de distrair a claque da inépcia administrativa dele, da equipe que “comanda” e da pasta da qual é titular.

O objetivo do comportamento é se segurar no cargo com base no puxa-saquismo do presidente, que vai adiando a decisão de trocá-lo, para o que já foi aconselhado pelos militares, por Paulo Guedes e por outros conselheiros, uma vez que o ministro é ponta-firme na defesa do governo nas redes sociais, muitas vezes recorrendo a fake news e invariavelmente a erros embaraçosos de português.

Assim, a Educação é séria candidata a área mais negligenciada do governo. Juntamente com a ação social. Difícil pensar em duas áreas que rendam mais votos, ou que tirem mais votos, uma vez que afetam o dia a dia das pessoas e o futuro do País. Bolsonaro pode achar que o ministro o está ajudando, mas deveria olhar para a Esplanada dos Ministérios e ver que os discretos Mandetta, Tarcísio Gomes de Freitas e Teresa Cristina deveriam ser os modelos de ministros caso ele queira tirar seu governo da crise em que está engolfado.