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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Da Vera: Decano cobra ação de Aras

Vera Magalhães

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O despacho em que Celso de Mello encaminhou para análise de Augusto Aras pedidos para a apreensão dos celulares de Jair Bolsonaro e Carlos Bolsonaro embutem uma cobrança nada velada do decano do Supremo Tribunal Federal ao procurador-geral da República.

A postura de Aras em relação ao governo federal tem sido objeto de críticas internas no Ministério Público Federal. Já no curso do inquérito, conduzido por Mello, Bolsonaro ventilou de propósito a possibilidade de nomear o atual chefe do MPF para a cadeira do decano na Corte, que ficará vaga em novembro com sua aposentadoria compulsória aos 75 anos.

No despacho, Mello ressaltou ser dever jurídico do Estado promover a apuração da “autoria e da materialidade dos fatos delituosos narrados por qualquer pessoa do povo”. Os pedidos de apreensão dos celulares foram feitos em ações movidas pelo governador da Bahia, Rui Costa, e pela deputada Gleisi Hoffmann, entre outros.

Aras tem adotado postura bastante cautelosa em relação às investigações abertas contra Bolsonaro. Ao pedir o inquérito, tratou de incluir Sergio Moro como possível investigado. Ao opinar sobre a liberação do vídeo da reunião de 22 de abril, o PGR foi a favor da divulgação apenas dos trechos citados pelo ex-ministro da Justiça, e não da íntegra da reunião, como pede a defesa de Moro.