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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Da Vera: Derrota pessoal de Bolsonaro

Vera Magalhães

Quando o presidente da República entra de cabeça, ligando para deputados, para tentar resolver uma questão comezinha como a liderança de seu partido na Câmara, e perde, a derrota é pessoal dele e institucional, do Executivo. Aos bolsonaristas que perguntavam, com ar de deboche juvenil de quem não tem experiência política, “mas, afinal, o que é articulação política”, a resposta é: é exatamente o oposto dessa várzea promovida por Jair Bolsonaro e o PSL.

Se tivesse se preocupado em criar uma base de sustentação estável, orgânica, previsível e partidária, Bolsonaro não precisaria passar mais um vexame: o de ver sua autoridade presidencial desafiada por parlamentares do baixíssimo clero de um partido desorganizado, em guerra, que não se furtam a vazar um áudio do presidente da República para rebaixar sua autoridade.

Se não achasse que iria reinventar a roda a partir das redes sociais, redefinir a política a partir dos pitacos de meia dúzia de assessores sem votos e que acham que robôs definem o sucesso de um governo, estaria em situação melhor para encaminhar as próximas reformas depois da Previdência, aprovada graças ao Congresso e ao Ministério da Economia.

Paulo Guedes deixou de ir a Washington para participar da reunião anual do FMI para fazer ele próprio a costura política da agenda econômica. Pelo simples fato de que o Palácio do Planalto está à deriva em termos de articulação. O presidente não achava importante, e, de forma arrogante e destemperada, iniciou uma guerra fratricida com o único partido que o apoiava. Deu nessa exposição pública das vísceras do PSL e o show de grosserias de todos contra todos. O oposto do que seria articulação política, esse item em desuso.