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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Da Vera: DF é microcosmo da abertura desastrada

Vera Magalhães

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A história da reabertura do Distrito Federal é emblemática do equívoco e da falta de planejamento dos governadores na reabertura precoce das atividades na pandemia da covid-19.

Em maio, o governador Ibaneis Rocha resolveu sair na frente e anunciou a reabertura do comércio, de shopping centers etc. Na ocasião, se gabava de o DF estar contendo a curva do contágio. Pelo fato de a extensão territorial do “quadradinho” ser pequena, seria possível fazer uma abertura controlada.

Deu entrevistas sobre como estava fazendo isso seguindo protocolos de segurança.

Deu muito errado. O DF rapidamente viu escalarem os casos de contágio, primeiro nas cidades-satélite e no entorno, e depois no Plano Piloto, no Lago, em todo lugar. E agora, como fechar o que foi escancarado?

Agora outros Estados seguem os passos do Distrito Federal, com resultados também alarmantes. Em São Paulo, a interiorização do vírus faz crescerem os números a cada dia. Santa Catarina e Paraná também têm de recuar. Mas como? Com lojas e shoppings abertos, gente na rua, é possível fazer com quem voltem para a casa? Que lojas e restaurantes que compraram estoque mesmo na crise para reabrir simplesmente baixem as portas?

Reativar hospitais de campanha equipados muitas vezes a preços altos e rapidamente desativados sem nenhum sinal de que o vírus estava “indo embora”?

A lambança da reabertura da economia equipara governadores e prefeitos, que no início da pandemia seguiam a ciência e demonstravam prudência e responsabilidade na gestão da pandemia à irresponsabilidade negacionista de Bolsonaro.

O saldo final é que a soma de equívocos em todas as esferas do governo condenará o Brasil à mais lenta recuperação do mundo, além de ser um forte candidato ao maior número de casos e óbitos também.