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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Da Vera: Dirceu e Bolsonaro já tentam unir a tropa

Vera Magalhães

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As evidências de que tanto o bolsonarismo quanto o lulopetismo vão usar a soltura de Lula como amálgama para uma polarização nos extremos vista na eleição de 2018 já se mostraram nas primeiras 24 horas depois da saída do petista da prisão.

Num vídeo em que parece uma versão envelhecida de si mesmo em 1968, o também libertado José Dirceu, condenado duplamente no mensalão e no petrolão por corrupção, faz um apelo às tropas petistas para “retomar o governo”, faz um manifesto dizendo que são da esquerda e socialistas –algo que ele próprio fez questão de escamoetar como coordenador da eleição que levou à primeira vitória de Lula em 2002– e que são o oposto absoluto de tudo que Bolsonaro representa.

O presidente, por sua vez, foi ao Twitter e, tomando o cuidado de não afrontar o STF do qual depende seu filho Flávio, fez um apelo pela reunião daqueles que votaram nele, mas estão dispersos e hoje já não apoiam seu governo. “Não dê munição a canalhas”, foi seu recado em duas postagens em que fala claramente da necessidade de não se gastar munição atirando nos próprios companheiros.

Enquanto isso, também como em 2018, o centro parece aturdido diante dos dois extremos estridentes que comandam o debate na praça pública.