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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Da Vera: Divisão de facções do Planalto persiste

Vera Magalhães

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O noticiário desta sexta-feira explicita a divisão que persiste no Palácio do Planalto mesmo depois da reorganização interna promovida por Jair Bolsonaro com o extermínio de dois dos ministros mais próximos a ele ainda no primeiro semestre. Está no Estadão e na Folha a configuração de um grupo que tem grande ascendência sobre palavras e ações de Jair Bolsonaro – e impede a ala menos fanatizada e ideológica do Planalto de convencer o presidente a ser mais moderado em alguns temas, sobretudo na relação com a imprensa.

O presidente da República, Jair Bolsonaro.

O presidente da República, Jair Bolsonaro. Foto: Adriano Machado/Estadão

Chamado de “gabinete do ódio” por uns, ou “da raiva” por outros, o grupo é composto pelo assessor internacional Filipe G. Martins, pelos responsáveis pelas redes sociais de Bolsonaro -Tércio Arnaud Tomaz, José Matheus Sales Gomes e Mateus Matos Diniz, todos oriundos da campanha – e pelos filhos Eduardo e Carlos Bolsonaro, em diferentes medidas e assuntos.

O fenômeno não é novo, mas sua explicitação por parte dos insatisfeitos mostra que só a degola de Gustavo Bebbiano e do general Carlos Alberto Santos Cruz não arrefeceu os ânimos no palácio, que segue conflagrado. Aqui no BRPolítico, acompanhamos esse fenômeno desde a composição do governo. Ainda em 6 de janeiro, atentei em um post para o fato de que o núcleo duro das redes sociais da campanha tinha sido levado para dentro do palácio. Você lê aqui.

Quando Santos Cruz foi defenestrado, mostrei aqui no BRP que isso fortaleceria a ala mais ideológica do governo. Leia aqui. Ainda em junho mostrei o caos que reinava na cozinha da Presidência nesta coluna no Estadão.

A novidade no vazamento da existência do gabinete do ódio é que ele continue operante e esteja desagradando também os novos inquilinos do palácio, que deveriam estar afinados com ele, pois já vieram em substituição aos anjos caídos do bolsonarismo. Nomes como o novo chefe da Secretaria de Governo, general Ramos, e o sobrevivente Onyx Lorenzoni, hoje numa Casa Civil manietada, seguem com dificuldade de furar a ascendência que a ala tem sobre Bolsonaro.