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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Da Vera: E a promessa de Bolsonaro de falar menos?

Vera Magalhães

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Jair Bolsonaro não havia prometido falar menos? Desde que fez mais esta promessa não cumprida, o presidente:

  1. se referiu à jornalista Thaís Oyama, nascida no Brasil e autora do livro Tormenta, sobre o primeiro ano de seu governo, como “aquela japonesa”;
  2. ameaçou tirar a segurança pública do Ministério da Justiça, para desdizer o que dissera 24 horas depois, diante da ameaça de Sergio Moro de deixar o governo;
  3. colocou em dúvida, sem nenhum dado evidente, as informações do governo da China a respeito da epidemia de coronavírus, isso depois de minimizar o problema enquanto estava na Índia;
  4. aventou a possibilidade, de novo sem nenhuma evidência empírica, de que tenha sido sabotagem, e não incompetência, a sucessão de erros que impede a divulgação correta do resultado do Enem;
  5. chamou o presidente do BNDES de “garoto” porque se irritou por não haver a tal caixa-preta do BNDES.

Essas são só as “tretas” que me ocorrem sem pesquisa aos jornais ou ao Google. Em todos os casos, o que existe em comum é que não foi a oposição que provocou o presidente, mas sim ele próprio se enredou nas confusões.

O presidente Jair Bolsonaro na Índia

O presidente Jair Bolsonaro na Índia Foto: Harish Tyagi/EFE/EPA

Não é papel do presidente da República elucubrar teorias da conspiração para surtos globais de doenças ou problemas administrativos em provas de seu governo. No primeiro caso, cabe cobrar do ministro da Saúde um plano realista, factível e organizado de contingência caso o vírus chegue ao Brasil. No segundo, exigir que o ministro da Educação investigue e corrija as falhas do exame que é responsável pelo ingresso de milhões de estudantes na universidade.

Se seguisse sua própria determinação de falar menos, e se passasse a se aconselhar com assessores razoáveis, e não só com puxa-sacos, o presidente não produziria todos os dias noticiário tóxico sobre si e sobre o próprio governo.