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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Da Vera: Frente ‘ampla’ cada vez mais estreita

Vera Magalhães

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Os vetos cruzados à participação deste ou daquele ator político ou grupo vai inviabilizando a enésima tentativa de se constituir uma frente ampla de defesa da democracia no Brasil.

Ex-presidente Lula. Foto: Adriano Machado/Reuters

O termo frente ampla e a democracia como meta deveriam ser fatores a unir esquerda, centro-esquerda, centro e centro-direita, além de setores da direita não-reacionária, mas as diferenças partidárias, as rusgas recentes e o pensamento voltado para 2022 impedem que se tirem os bodes da sala em nome de objetivos comuns.

Lula não vai porque, para ele, só interessa uma frente ampla que diga que o impeachment de Dilma Rousseff foi golpe, sua prisão após condenação por crimes comuns foi política e que, de quebra, faça um linchamento público de Sérgio Moro.

O convite a Moro, aliás, ameaça provocar defecção de setores da esquerda que estavam se desgarrando da orientação de Lula e pretendiam participar.

Os organizadores do ato virtual previsto para este fim de semana como pontapé inicial do movimento, ao justificar os vetos a esse ou aquele, explicitam a estreiteza da frente “ampla”: dizem que cabe só à coordenação fazer convites (!) e que eles são limitados a 100 (!!).

Nas Diretas Já, o então jovem PT, comandado por um Lula que ascendera como liderança depois das greves do ABC no final da década de 1970, dividia o palanque com raposas recém-egressas da Arena da ditadura, e que formavam a Frente Liberal que depois viraria o PFL.

Foi graças ao racha da direita que, mesmo sem diretas, Tancredo Neves venceu Paulo Maluf no Colégio Eleitoral, tendo Sarney como vice.

Torcer o nariz e fazer campeonato de quem é mais democrata neste momento ajuda uma única pessoa, e ela se chama Jair Bolsonaro. Não surpreende que o PT queira isso: deixando Bolsonaro como espantalho e boicotando qualquer possibilidade de aliança que, lá na frente, possa resultar no apoio a um candidato não-petista, o cacique vive a ilusão de que pode prorrogar sua influência já francamente declinante.

Mais uma vez, Bolsonaro agradece fazendo arminha com a mão, talkey?

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