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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Da Vera: Indícios de improbidade no Ministério da Saúde

Vera Magalhães

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A manchete deste domingo do Estadão traz mais um descalabro do governo federal. Um carregamento de nada menos de 6,8 milhões de testes para covid-19 adquiridos pelo Ministério da Saúde e nunca distribuídos, que estão estocados no aeroporto de Guarulhos, perdem a validade entre dezembro deste ano e janeiro do ano que vem.

O volume é muito maior do que todos os testes aplicados pelo Sistema Único de Saúde até hoje pela pasta, 5 milhões desde o início da pandemia. O Ministério da Saúde gastou R$ 764,5 milhões na aquisição de testes para detecção do novo coronavírus, R$ 290 milhões deles nessas unidades que estão encalhadas sem serem distribuídas, próximas de vencer. E que são do tipo RT-PCR, um dos mais eficazes para detectar a doença.

Como tudo no Brasil o caso virou um jogo de empurra: o governo Bolsonaro diz que caberia a Estados e municípios solicitarem os testes, e esses argumentam que não adianta ter os kits sem estrutura para análise dos dados, e que o Ministério entrega o material incompleto. Um círculo vicioso de desperdício de dinheiro público e descaso com o enfrentamento da pandemia, que vai entrando numa segunda onda em todo o território nacional.

O que será feito para investigar e punir essa clara demonstração de improbidade administrativa? Provavelmente a semana deve começar com uma representação com pedido de cautelar por parte do Ministério Público Federal junto ao Tribunal de Contas da União, responsável por fiscalizar o emprego do dinheiro público.

E na parte política? Bolsonaro certamente fará pouco do caso, e o ministro Eduardo Pazuello, um general cuja razão de estar à frente do Ministério da Saúde no curso de uma pandemia era supostamente entender de logística (!) ficará entre omisso e acovardado, como tem ficado desde que assumiu a pasta, inclusive nas sucessivas vezes em que foi desautorizado ou francamente humilhado pelo presidente da República.