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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Da Vera: Insatisfação aflora no bolsonarismo

Vera Magalhães

A cisma aberta entre as alas bolsonarista e lavajatista do governo, que pareciam um monólito, começa a se evidenciar em críticas, ainda esparsas, por parte de entusiastas da gestão de Jair Bolsonaro nas redes sociais. Já há adeptos que lamentam o fato de Bolsonaro ter se “rendido ao sistema”, se aproximando de figuras como Dias Toffoli. Como essas críticas ainda são incipientes, elas a todo instante buscam gatilhos de condescendência para com o presidente, “aliviando” a responsabilidade que ele tem, por exemplo, ao determinar investidas contra órgãos de controle. Escrevi sobre essas investidas e as razões estritamente familiares envolvidas nelas na minha coluna de hoje no Estadão, da qual tratei em post anterior.

A narrativa dessa ala chega a lamentar, sem meias palavras, o fato de que o presidente não possa ter promovido a “revolução” com que os setores mais radicalizados de seus apoiadores sonharam, por falta de adesão dos militares a algum tipo de golpe para solapar as instituições. “O garantidor de uma limpeza mais profunda do sistema seria a classe militar, que simplesmente não quer nada disso. Logo, Bolsonaro percebeu que não teria apoio para seguir tal caminho, sendo obrigado a “dançar conforme a música”, o que significa negociar com os bandidos de sempre”, escreve Leandro Ruschel, um dos principais porta-vozes do bolsonarismo, no site Conexão Política. A íntegra do artigo, que é sintomático da atual situação, pode ser lida aqui. As manifestações de domingo serão importantes para mostrar quem hoje tem mais garrafa para vender: a Lava Jato e o que ela representa, ou Bolsonaro, eleito muito na esteira do que a operação revelou, mas que, uma vez empossado, se distancia de alguns dos objetivos e das figuras da operação.

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