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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Da Vera: Lula e Bolsonaro, tudo a ver

Vera Magalhães

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A entrevista concedida pelo ex-presidente Lula ao UOL e publicada no fim de semana evidencia as semelhanças entre ele e Jair Bolsonaro na estratégia de apostar tudo na polarização política nos extremos e na visão que ambos têm a respeito da imprensa. Lula chegou a chamar a Rede Globo de “nazista”, num uso leviano de um termo cuja gravidade deveria impedir a banalização.

Mas a estratégia é essa mesmo. Para deixar claro que o PT aposta tudo no enfrentamento contra Bolsonaro de novo em 2022, Lula chega a defender o presidente nas críticas que ele faz à imprensa. Questionado sobre os ataques do presidente à imprensa, Lula afirmou que “tem crítica que ele faz que é correta”, e comparou a relação dele com a mídia à sua própria, quando era presidente.

O ex-presidente Lula

O ex-presidente Lula Foto: Miguel Schincariol/AFP

O que ambos querem é excluir qualquer possibilidade de surgimento de uma terceira via, à direita ou à esquerda. Lula trata de sugerir que o governador do Maranhão, Flávio Dino, troque o PC do B pelo PT para disputar a Presidência, uma vez que, para o lulismo, não existe vida aliada fora da sigla.

Na entrevista ao UOL e em outras que concedeu a emissoras de rádio, Lula também enxerga um adversário que tira o sono de Bolsonaro: o ministro da Justiça, Sergio Moro.

Cabe às forças do espectro político que não estão no PT nem na Aliança pelo Brasil, que Bolsonaro se empenha em criar, fomentar o debate para além dessa polarização que elimina a possibilidade de dissenso e de nuances no tratamento de temas econômicos e sociais. A simbiose cada vez mais evidente de propósitos do lulopetismo e do bolsonarismo deveria servir de alerta para a necessidade de se fomentar um projeto de País já.