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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Da Vera: ‘Marcha’ de Bolsonaro pressiona o STF

Vera Magalhães

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Jair Bolsonaro promoveu nesta quinta-feira, de supetão e fora da agenda, uma marcha pela Praça dos Três Poderes cujo objetivo político, institucional e simbólico foi aumentar a pressão sobre o Supremo Tribunal Federal no momento em que o Judiciário reconheceu autonomia de Estados e municípios para regularem a quarentena e investigam as sucessivas investidas do presidente sobre as instituições e a independência dos Poderes.

O presidente da República, Jair Bolsonaro e o presidente do STF, Dias Toffoli

O presidente da República, Jair Bolsonaro e o presidente do STF, Dias Toffoli Foto: Dida Sampaioa/Estadão

Promovendo mais uma aglomeração, com várias pessoas sem máscara, Bolsonaro marchou a pé do Palácio do Planalto até o STF ao lado de Paulo Guedes, parlamentares bolsonaristas e empresários para pedir a José Antonio Dias Toffoli que o Supremo olhe para a possibilidade de flexibilização das regras de isolamento social no momento em que a pandemia do novo coronavírus cresce, as mortes escalam e o sistema de saúde beira o colapso.

O discurso de Bolsonaro, de Guedes e dos empresários foi duro, de clara pressão sobre o Supremo. Numa postura imperial e semblante fechado, o presidente nem sequer olhava para a cara do presidente do STF. Um empresário fez menção à possibilidade de “morte de CNPJs” num momento em que o número de pessoas mortas no Brasil já está acima das 8,5 mil.

Bolsonaro ameaçou editar uma série de decretos ampliando os setores fundamentais da economia que poderiam funcionar mesmo que as regras de distanciamento sejam apertadas, com a decretação de lockdown em vários Estados e municípios, que já começam a adotar essas medidas.

Toffoli foi diplomático e reconheceu que existe uma pressão e uma aflição das pessoas para a volta ao trabalho.

Bolsonaro falou na necessidade de voltar à “atividade normal”. “Não tem essa história de que primeiro vida e depois a economia”, chegou a dizer. Em seguida, afirmou que, “depois da UTI vem o cemitério” para as empresas. Evocou o testemunho de empresários que falaram da queda de vendas de veículos e outras atividades econômicas.

A atitude de Bolsonaro é mais uma vez desafiadora. Para ter Guedes ao seu lado, se comprometeu a vetar projeto aprovado pelo Congresso que preserva servidores das áreas de educação, saúde e segurança do congelamento de salários por 18 meses. Firmou o compromisso num quebra-queixo na saída da caravana do STF.

O presidente jogou a batata quente para Toffoli, uma vez que o STF decidiu por unanimidade que os Estados e municípios são livres para determinar medidas de distanciamento social, decisão que agora será confrontada por Bolsonaro por meio de decretos. Como o Supremo agirá diante disso? É a pergunta a ser respondida em seguida.

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