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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Da Vera: Não há amor nos negócios

Vera Magalhães

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Acabou o amor. As juras de apreço feitas por Jair Bolsonaro a Donald Trump não impediram o presidente norte-americano de iniciar a semana com uma bomba para o colega brasileiro: a volta de tarifas que haviam sido levantadas em agosto de 2018 à importação de aço e alumínio.

Foto: Susan Walsh/AP Photo

O pretexto de Trump foi a depreciação do real frente ao dólar, como se se tratasse de uma política deliberada do governo brasileiro para favorecer as exportações de produtos agrícolas. O presidente diz que fazendeiros norte-americanos estão sendo prejudicados pelo câmbio, e, para desgosto de Bolsonaro, ainda coloca Brasil e Argentina no mesmo balaio.

A notícia deve impactar o mercado brasileiro e levar mais pressão ao câmbio. Serve ainda de lição ao governo brasileiro: em política comercial não se deve pautar as relações por apreço ideológico. O Brasil fez várias concessões unilaterais aos EUA, além de adotar uma postura diplomaticamente subserviente ao trumpismo, na expectativa de receber um tratamento privilegiado de Trump.

Desde então os EUA já se opuseram ao ingresso antecipado do Brasil na OCDE e, agora, elevam a tarifa para aço e alumínio. Não há amor no comércio.