Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Marcelo de Moraes

Da Vera: O fator etário no voto de SP

Vera Magalhães

Apenas dois anos separam Bruno Covas de Guilherme Boulos. Mas o physique du rôle de ambos, o estilo da campanha e a trajetória até a atual candidatura à Prefeitura fazem o candidato do PSOL parecer mais jovem que o prefeito tucano, e isso está se refletindo de maneira muito nítida nas intenções de votos de ambos.

Pesquisa Datafolha divulgada na madrugada desta terça-feira explicita o fenômeno do “degrau geracional” que se estabeleceu no voto do paulistano. O Marlos Ápyus, nosso colega aqui no BRP, elaborou uma tabela a partir dos dados da pesquisa:

A idade é “O” fator de decisão de voto em Boulos, mais que sexo, escolaridade ou até mesmo renda, como poderia supor o militante inflamado do PSOL nas redes sociais. O prefeito vence em todos os extratos sociais, mesmo entre os eleitores que recebem até 2 salários mínimos.

Quando se analisa a geração do eleitor, a coisa muda drasticamente de figura. Boulos dá uma lavada em Covas na faixa entre 16 e 24 anos, vence com folga no grupo imediatamente mais velho, até 34 anos, e quase chega lá entre os eleitores entre 35 e 44 anos.

E é aí que mora o maior perigo para a reeleição de Covas, ao qual seus aliados e assessores de campanha estão atentos: o eleitorado mais velho é também o mais suscetível a não comparecer para votar, num ano já marcado por um recorde de abstenções.

A pandemia e o risco de contaminação pelo novo coronavírus no momento em que os casos voltaram a subir de forma preocupante podem impactar ainda mais o segundo turno que o primeiro. E o eleitorado de maior poder aquisitivo e mais idade, faixa em que o tucano também vai bem, é aquele que tende mais a “cabular” o segundo turno em nome de viagens para a praia ou o campo.

Num cenário em que a diferença entre os dois tem se estreitado a cada pesquisa e Boulos faz uma campanha muito baseada na emoção, essa discrepância de idade, a presença esmagadoramente maior do psolista nas redes sociais (nas quais o tucano é quase um tiozinho) e a adesão de partidos com militância aguerrida para campanha de rua, como o PT, vão certamente tornar a reta final paulistana mais emocionante e menos previsível do que as projeções de segundo turno lá antes de 15 de outubro indicavam.

Na coluna desta quarta-feira no Estadão vou aprofundar o tema e mostrar o que ele projeta para a política nacional, para além dos “muros” de São Paulo.