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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Da Vera: O mutualismo de Bolsonaro e Lula

Vera Magalhães

Jair Bolsonaro e Lula dependem um do outro para sobreviver e crescer politicamente. A relação de interdependência dos dois ficou clara, mais uma vez, nesta quarta-feira, diante do episódio Estados Unidos-Irã.

Lula, que andava meio no ostracismo diante da não-realizada aclamação após sua soltura, deu uma entrevista (um bate-papo, em que ele mesmo soltava o foguete e corria atrás da vara) ao site Diário do Centro do Mundo. Com seu cinismo indisfarçado, chegou a dizer que Bolsonaro é muito ruim para o Brasil, para a democracia e para os brasileiros, mas para um partido como o PT, que quer fazer oposição, “não tem melhor que ele”.

Enunciou com todas as letras o que os não lulistas nem bolsonaristas sempre apontaram, sofrendo ataques das duas seitas: foi Lula quem escolheu Bolsonaro como adversário de Fernando Haddad em 2018, imaginando que seria fácil batê-lo. E agora, mesmo diante da evidência de que o eleitor prefere até Bolsonaro à volta do PT, dobra a aposta na polarização.

O presidente pensa da mesma maneira, com sinal trocado. Ao assistir e comentar pronunciamento de Donald Trump sobre o Irã seu foco não era nem o conflito, nem as consequências econômicas e políticas para o Brasil, mas sim traçar um contraponto entre a reação de seu governo e a do governo Lula diante dos planos do Irã para enriquecer urânio. Também o presidente sabe que precisa manter alimentado seu organismo associado, Lula, para se alimentar.

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