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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Da Vera: O normal de Bolsonaro não é normal

Vera Magalhães

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O que é normal para Jair Bolsonaro é cada vez mais anormal. A última declaração estarrecedora do presidente veio nesta quinta-feira, 16, depois de uma reunião com o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, que, segundo ele, conseguiu, vejam bem, COMPROVAR que a Saúde do Rio funciona.

Às favas com as imagens diárias de caos em hospitais e postos de saúde, funcionários com salários atrasados, pessoas morrendo sem atendimento em ruas ou corredores de hospital. Se Crivella falou, tá falado. Nada mais pode ser feito pelo governo federal e siga o baile da forma como está.

Para ele, está tudo certo também com o fato de a empresa do titular da Secretaria de Comunicação da Presidência, Fabio Wajngarten, continuar recebendo da União, de estatais federais e de agência que trabalham para o governo. Se tiver algum problema, a gente vê “lá na frente”. E o jornalista que ousa questionar a respeito recebe um cala-boca do presidente da República.

Não, não é normal essa transferência de dinheiro público para uma empresa que tem um servidor como sócio. Isso se chama favorecimento. Em última instância, uma forma de corrupção disfarçada, aquela mesma que Bolsonaro enchia a boca para condenar nos governos petistas.

A cada declaração de Bolsonaro normalizando coisas que deveriam ser repudiadas por um chefe de Estado, e que antes eram condenadas por seu discurso político, se esvai um pouco da autoridade presidencial e muito da imagem que ele cultivou. No primeiro caso, o prejuízo é institucional e de toda a sociedade. No segundo, é principalmente para ele.