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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Da Vera: O pré-carnaval animado de Weintraub

Vera Magalhães

A segunda-feira do ministro da Educação, Abraham Weintraub, começou a mais animada que muito bloco de carnaval.

Logo pela manhã, o ministro postou uma selfie a bordo de um avião que o levaria para uma solenidade em São Paulo. Fazendo o sinal de “silêncio” nos lábios com o dedo indicador, cometeu a seguinte frase: “Aonde está a pompa e a liturgia do cargo? Na poltrona 16A…” Fazia uma alusão, em mau português, como sempre, às cobranças que recebeu de senadores na sua última audiência pública no Senado. Virou novamente trending topic do Twitter.

Na solenidade da qual participou em São Paulo, o ministro defendeu que escolas cívico-militares são, sim, para formar estudantes de direita. “Se você fez escola cívico-militar, você é de direita. Mais de 80% das famílias de São Paulo são de direita e não sabem disso e o governo Bolsonaro veio para despertar isso”, disse o ministro em São Paulo, durante evento no Campo de Marte, na zona norte da capital, para a entrega de 120 ônibus escolares para 115 municípios paulistas.

Na mesma solenidade, Weintraub disse, sem nenhuma cerimônia, que tem “amigos” para brigarem pela sua permanência no MEC, a despeito de todas as polêmicas gerenciais de sua gestão. Disse isso ao lado do filho 03 do presidente, Eduardo Bolsonaro, que pouco antes postara uma mensagem de apoio no Twitter, após o ministro escalar a lista dos temas mais falados pela sua nova agressão à gramática.

Debochando das críticas, Weintraub voltou ao Twitter. Talvez deliberadamente, escreveu várias frases com erros crassos de português para falar da entrega de ônibus.

Só omitiu o fato de que a medida provisória que criou a carteirinha estudantil sem necessidade de pagamento de taxa a entidades como a UNE, um dos projetos pelo qual mais bateu bumbo, caducou nesta segunda por falta de articulação do MEC no Congresso para que fosse votada. Mais uma derrota administrativa importante para o ministro, mas ele estava mais ocupado com as mitadas constrangedoras nas redes sociais.

O apoio do filho 03 a Weintraub pode tê-lo segurado no posto até aqui, mas as áreas econômica e militar do governo já têm o diagnóstico de que a permanência do economista no MEC está trazendo profundos prejuízos de imagem ao presidente e pode acarretar em retrocessos graves na Educação, que ajudariam a dar discurso à esquerda.

Por isso, melhor seria ele arregaçar as mangas e trabalhar, em vez de ofender as pessoas, a língua pátria e o senso de ridículo diariamente nas redes sociais, que já não tem a unanimidade nem das milícias digitais bolsolavistas.