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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Da Vera: o subjetivismo do ‘cidadão de bem’

Vera Magalhães

No discurso que fez durante a solenidade de assinatura do decreto que flexibilizou as regras para a posse de armas, Jair Bolsonaro disse que a medida acaba com a “subjetividade” presente no Estatuto do Desarmamento, ao explicitar quais seriam os casos de necessidade para que a pessoa possa comprar uma arma.

Mas na mesma fala se referiu quatro vezes a “cidadãos” ou “cidadãos de bem” que poderiam passar a ter armas e exercer seu direito à legítima defesa, como se essa categoria –cidadão de bem– não fosse, ela mesma, eivada de subjetividade. A lei franqueará o acesso mais fácil a armas não apenas a cidadãos de bem. E a afirmação de Bolsonaro de que as pessoas estarão mais seguras contrasta com o alerta feito por ele próprio quanto a um risco óbvio da proliferação de armas: o de acidentes com crianças. / Vera Magalhães