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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Da Vera: Onyx e o conceito de ‘servir’

Vera Magalhães

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Onyx Lorenzoni saiu da conversa de uma hora que teve com Jair Bolsonaro ainda ministro da Casa Civil, mas ainda mais diminuído em seu prestígio. Ele aceitou de bom grado ter as atribuições reduzidas ao máximo, três integrantes da equipe demitidos enquanto estava de férias e assumiu até mesmo a responsabilidade pelo episódio do vaivém de Vicente Santini, ao não apresentar sua versão para o assunto, argumentando que se trata de “página virada”.

Depois disso, ao dizer que seu objetivo é “servir”, e não ter poder, a imagem que ele passa é de servilismo, e não de espírito público.

Diferentemente de ministros palacianos que perderam os cargos por se contrapor a decisões do presidente ou da ala mais ideológica e se posicionar abertamente contra elas, Onyx mostra que está disposto a aceitar doses cavalares de humilhação pública por parte de Bolsonaro, que na véspera encerrara bruscamente mais uma entrevista quando questionado se iria mantê-lo no cargo.

E ele não precisava aceitar a fritura lenta a que vem sendo submetido. Onyx tem mandato de deputado federal e era um parlamentar com voz própria e certa proeminência em temas do Legislativo ligados a combate à corrupção e segurança. Além disso, tinha crédito junto ao chefe, por ter sido o primeiro parlamentar a apoiá-lo, quando ainda era um candidato do baixo clero em quem ninguém apostava.

Ao tolerar ser esvaziado da articulação política e, depois, do PPI, Onyx automaticamente se descredencia para voos como o Ministério da Educação, para o qual vinha se movimentando discretamente.