Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Da Vera: Os erros factuais da entrevista de Petra Costa

Vera Magalhães

Exclusivo para assinantes

Entrevista da cineasta Petra Costa ao programa Amanpour & Co, da rede norte-americana CBS e ancorado pela jornalista Cristiane Amanpour, provocou reações de políticos e economistas nas redes sociais, que contestaram dados apresentados por ela ao entrevistador Hari Sreenivasan.

Foto: Reprodução PBS

Ela foi questionada por ele também a respeito da aparente contradição entre o fato de defender essa visão da história recente do País enquanto sua família é sócia da Andrade Gutierrez, uma das maiores empreiteiras do País, investigada no escândalo do mensalão, algo de que ela trata no documentário Democracia em Vertigem. A entrevista é intercalada com trechos do filme, com a mesma narração na voz de Petra, mas em inglês.

A parte mais contestada da entrevista é sua versão para a vitória de Jair Bolsonaro. Ela diz que ele começou a crescer a apenas três dias do primeiro turno, quando pesquisas muito antes mostravam não só a dianteira do então candidato do PSL, mas sua resiliência, a despeito das previsões de que atingira o “teto”.

“Ninguém sabia que tinha uma onda vindo. De repente, o Partido dos Trabalhadores começou a receber mensagens: ‘É verdade que (seu candidato) está fazendo rituais satânicos?’ Muitos brasileiros estavam mudando seus votos de última hora devido às fake news”, diz ela, afetando ao mesmo tempo ingenuidade e um falseamento da realidade, algo que ela, aliás, tenta denunciar na entrevista por parte da direita.

Bolsonaro liderava as intenções de votos a 28 dias do 1º turno e 49 dias do 2º turno. Não houve onda de última hora.

Petra ignora a facada sofrida por Bolsonaro em 6 de setembro, e que certamente ajudou a galvanizar sua vantagem e a percepção por parte do eleitorado de que seria o candidato capaz de vencer o PT.

Petra aponta uma onda evangélica contra negros e mulheres, quando pesquisas recentes mostram que a maioria dos evangélicos é negra e formada por mulheres.