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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Da Vera: Os recados de Queiroz

Vera Magalhães

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O vazamento consecutivo, para veículos diferentes, de áudios de Fabrício Queiroz claramente incomodado pela perda de influência junto à família Bolsonaro e por se considerar abandonado à própria sorte tem toda cara, jeito e cor de recado do próprio ex-amigo, soldado e assessor faz tudo do clã.

Não se trata de expediente inédito. Quem não se lembra do notório Paulo Preto, operador do PSDB agora implicado na Lava Jato, que lá na eleição de 2010 reagiu a uma tentativa do então presidenciável José Serra de dizer que não o conhecia com uma frase que virou icônica? “Não se deixa um líder ferido na beira da estrada”, disse ele à Folha. Logo em seguida, Serra teve um surto de memória e lembrou de Paulo Vieira de Souza, dizendo que apenas não tinha ligado a pessoa ao apelido notório.

Nos novos áudios, divulgados pela Folha, Queiroz fala da exoneração de laranjas dos gabinetes da família –lembrando que era ele o chefe de Recursos Humanos do bolsonarismo, por assim dizer–, faz menção à investigação do Ministério Público e até pontifica sobre estratégia política do “Jair”, lamentando não estar próximo para aconselhar o presidente.

Um sinal evidente de que o recado foi ouvido e o potencial é explosivo é o fato de Bolsonaro, em viagem oficial ao exterior, responder a questões sobre Queiroz e nunca escantear totalmente o ex-aliado. Nesta semana, inclusive, o presidente não ousou dizer que o novo áudio é “bobo”, como fez com o divulgado na semana passada.

Ou Queiroz tem interlocutores muito inconfiáveis, para vazar conversas com ele em tempos e para veículos diferentes, ou o próprio ex-assessor está usando o WhatsApp, uma das ferramentas favoritas do bolsonarismo, para mandar seus torpedos. Certamente já foi ouvido.