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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Da Vera: Sem teoria da conspiração, busca vem bem a calhar

Vera Magalhães

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Esqueçam as teorias da conspiração que começaram logo depois de a Polícia Federal realizar busca e apreensão nos endereços de Luciano Bivar, presidente nacional do PSL, nesta terça-feira. O timing coincidente com os atritos entre Jair Bolsonaro e o dirigente parece ser apenas isso: coincidência. O pedido da PF para realizar as buscas é de 21 de agosto, bem antes, portanto, dos atritos entre o bolsonarismo e a ala do partido ligada a Bivar.

Luciano Bivar, deputado federal (PE) e presidente do PSL

Luciano Bivar. Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

Além disso, Sérgio Moro, que aparece com papel de destaque nas teorias da conspiração, se reuniu na semana passada com Bivar, que não deixou de espertamente acenar com a porta da frente para o ministro enquanto apontava a dos fundos para o presidente e seus seguidores.

Dito isso, a ação da PF sobre os endereços de Bivar pode, sim, sem que se precise recorrer a teorias da conspiração, servir aos propósitos de Bolsonaro, inclusive fornecer a ele uma justificativa para a eventual decisão de sair do partido. A explicação de que Bivar teria promovido atos escusos no comando do PSL já tem sido a esboçada pelo presidente, seus familiares e parlamentares ligados a eles para explicar por que podem deixar a legenda –e para tentar que esses deputados não percam o mandato por infidelidade partidária.

Ainda assim, um impasse segue não resolvido: e o dinheiro do fundo partidário? Não há jurisprudência para que deputados “carreguem” o equivalente ao fundo para as legendas a que se filiem, nem sinais de que a tropa bolsonarista iria em bloco para um só destino, em vez de se dispersar por vários portos.

E esta é a razão pela qual Bolsonaro ainda não decidiu deixar o PSL. Pode acusar Bivar de malfeitos o quanto for, mas está pouco ligando para isso. Basta dizer que mantém Marcelo Alvaro Antonio como ministro do Turismo, e contra ele há muito mais evidências de envolvimento no laranjal que contra Bivar.

O fundo partidário banca eventos como a CPAC, cúpula conservadora que foi um culto à personalidade do filho e candidato a embaixador Eduardo Bolsonaro. Abrir mão desse veio de financiamento da nova direita não parece algo que o bolsonarismo esteja disposto a fazer, com mãozinha ou não de operação da PF.