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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Da Vera: Privatizações como?

Vera Magalhães

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O ministro Paulo Guedes voltou a exalar otimismo exagerado em entrevista no domingo à rede de TV CNN, mas nesta segunda-feira os agentes econômicos duvidavam do calendário apresentado por ele para reformas e, sobretudo, para privatizações.

O ministro da Economia, Paulo Guedes

O ministro da Economia, Paulo Guedes Foto: Dida Sampaio/Estadão

Ele prometeu 4 grandes privatizações em 90 dias. Como o STF definiu recentemente que toda privatização precisa passar pelo Congresso, o primeiro entrave começa aí. Aliás, existe um temor no Legislativo de que a equipe econômica esteja tentando driblar essa obrigatoriedade. Na semana passada, o Congresso mandou uma consulta ao Supremo: a Petrobras pode transformar refinarias em subsidárias e vendê-las ou isso é uma forma de velada de privatizar sem autorização prévia do parlamento?

A resposta do STF deve definir se o acelerador de privatizações de Guedes prevê esse tipo de expediente.

O calendário de Guedes esbarra, ainda, em seu próprio legado até aqui: em um ano e meio de governo, um ano inteiro antes da pandemia, nenhuma privatização foi feita. Por que seria logo após uma crise que deprimiu a capacidade de investimentos do mundo todo, questionam economistas?

Por fim, tamanho otimismo encontra ainda como contraponto o fato de que outras agendas vendidas com o mesmo entusiasmo, como a da reforma tributária, não saíram do papel.

É muito difícil que o Congresso, que tem se reunido de forma remota, dedique o segundo semestre, justamente o das já conturbadas eleições municipais, a aprovar privatizações quando há pautas muito mais urgentes para a população mais desassistida, como o futuro do auxílio emergencial.

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