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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Da Vera: Qual o peso das ruas?

Vera Magalhães

Os atos deste domingo tiveram dimensão parecida aos de 26 de maio, mas com a volta de alguns atores, como o MBL, ausentes dos atos anteriores por discordarem de seu caráter de confronto com o Congresso e o Judiciário. Focados no apoio à Lava Jato, a Sérgio Moro e à reforma da Previdência, os movimentos deste domingo também levaram para cima dos carros de som integrantes do governo, como o ministro Augusto Heleno, e um dos filhos de Jair Bolsonaro, Eduardo. Mas qual o efeito concreto de atos como esses e de sua repetição a cada vez que o governo precisa de endosso?

Certamente congressistas não são imunes à pressão popular, mas querer fazer desse instrumento um substituto à inexistente articulação política do governo não fará com que ele passe a ter mais sucesso nas votações no parlamento. Da mesma forma, incitar a população contra o Legislativo, dando corda à falsa narrativa de que é ele o responsável, por exemplo, pela demora da votação da reforma da Previdência será contraproducente para Bolsonaro –deputados e senadores foram tão eleitos como o presidente, e não vão enfiar o rabo entre as pernas porque as pessoas foram às ruas. Por fim, o apoio a Moro e à Lava Jato pode até sensibilizar o STF, que, em última instância, será o responsável por decidir se as revelações da Vaza Jato têm peso para alterar alguma decisão da operação. Mas dificilmente ministros decidirão questões complexas como a suspeição de Moro com base em gente de verde e amarelo nas ruas. Portanto, as manifestações, por mais volumosas que sejam, não têm o condão de mudar os rumos das instituições, nem deveriam virar um elixir para todos os temas nacionais. / Vera Magalhães