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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Da Vera: Maia é reformador ou líder do Centrão?

Vera Magalhães

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A manobra para aprovar o projeto de lei que libera os partidos para o vale-tudo com o uso do fundo partidário e do fundo eleitoral mitiga o poder de fiscalização da Justiça Eleitoral e abre uma avenida para a prática de caixa dois, uso de laranjas e prática de lavagem de dinheiro com recursos públicos, além de ferir gravemente a estratégia do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de se apresentar como o responsável por fazer avançar as reformas estruturais do País e dinamizar a economia.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), em evento em São Paulo

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Foto: Felipe Rau/Estadão

Ao promover uma manobra para tirar o projeto das comissões, levá-lo direto ao plenário com aval dos líderes partidários e votá-lo a toque de caixa nos dias 3 e 4 deste mês antes que entrasse no radar da imprensa e da sociedade, Maia agiu como o líder do velho Centrão e defensor de práticas, essas sim, da mais velha política.

Não é a primeira dessas votações com o aval de Maia. A Lei de Abuso de Autoridade, que traz em seu bojo o claro viés de intimidar policiais, procuradores e juízes contou com o aval e a regência do presidente da Câmara, em dobradinha com o do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP) –que também estava ensaiado para aprovar o projeto dos partidos agora, mas foi freado pela sociedade.

Maia já está às voltas com denúncias relacionadas à Lava Jato. Ao juntar ao currículo esse tipo de expediente de votação na calada da noite de propostas que representam claros retrocessos institucionais perde qualquer discurso em que tente se mostrar como contraponto a eventuais abusos de Jair Bolsonaro e avalista das reformas.