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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Da Vera: Tentação autoritária em busca de um pretexto

Vera Magalhães

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A fala de Eduardo Bolsonaro à jornalista Leda Nagle, ameaçando com um “novo AI-5” ou uma “nova legislação” –qual? uma nova Constituição?– aprovada por “plebiscito, como na Itália” é a demonstração de que o bolsonarismo mais radical está apenas em busca de um pretexto, qualquer pretexto, para colocar em prática sua tendência autoritária. Mas que o deputado não arreganhe os dentes: no Brasil as instituições são sólidas e não vão deixá-lo brincar de ditadura, agora que o brinquedo de diplomata lhe foi negado.

Eduardo fala em dar uma resposta caso a esquerda decida “radicalizar a este ponto”, ao tecer uma esdrúxula tese sobre o avanço da esquerda e do “Foro de São Paulo”, esse boitatá sempre trazido à sala.

Dos protestos do Chile a uma reportagem do Jornal Nacional que não fez nenhuma acusação a Bolsonaro, da CPMI das Fake News à discussão pelo STF sobre prisão após condenação em segunda instância, tudo virou desculpa agora para aliados do presidente, dos filhos ao guru Olavo de Carvalho, ventilarem soluções golpistas não mais de maneira envergonhada ou lateral, mas dando nomes aos bois e falando em voz alta.

Por mais que soe infantiloide um deputado sem preparo algum ficar falando em AI-5 a torto e a direito, não se pode normalizar esse tipo de exortação. É preciso que o Congresso, o Supremo Tribunal Federal, a OAB, a imprensa, enfim, todos os que Bolsonaro chamou de “hienas” no vídeo também de inspiração golpista, repudiem essa fala e cobrem do presidente um basta nesses arroubos amalucados dos filhos parlamentares.

Se fossem só garotos mimados e deslumbrados pela chegada do pai ao poder já seria de preocupar um governante sério, mas que sejam todos homens públicos, com mandatos e cargos importantes, a flertar com supressão de direitos, golpes e até ditadura pura e simples é algo que não se pode relevar nem com que se deva condescender.