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por Marcelo de Moraes

Da Vera: Teste de fogo para os governadores

Vera Magalhães

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Muito se falou sobre o saldo de Jair Bolsonaro nas eleições municipais, mas a disputa nas capitais também reflete a popularidade dos governadores, e vitórias e derrotas deverão ter impacto nas disputas estaduais daqui a dois anos, além da configuração do quadro nacional político-partidário, para o qual estamos todos mais atentos.

João Doria (esq.) com Bruno Covas (centro) após votar em São Paulo. Foto: Assessoria/Governo de SP

Neste segundo turno, alguns governadores estão com a sua liderança colocada à prova. O caso mais vistoso é o de São Paulo. João Doria Jr. (PSDB) venceu com folga a prefeitura em 2016. Tanta que o encorajou a deixar o posto menos de dois anos depois, renunciando ao mandato para disputar outro. O resultado serviu de alerta: passou sufoco no segundo turno com Márcio França (PSB) e perdeu na capital na qual havia vencido por antecipação dois anos antes.

Nesta campanha de agora, Doria mostrou amadurecimento e menos afogadilho. Vaidoso, aquiesceu com uma estratégia que o deixou de fora do dia a dia da campanha, para evitar tanto a lembrança de sua renúncia ainda mal digerida como a imagem, explorada pelos adversários, de que Bruno Covas (PSDB) seria sua marionete política.

Sua maior participação na campanha, aliás, foi também a mais questionável: a escolha do vice de Covas, o vereador Ricardo Nunes (MDB), nuvem carregada pairando sobre a candidatura tucana e fator de não-voto para muitos que cogitariam dar mais um mandato ao prefeito.

Mas, caso se confirme a vitória de Covas, Doria voltará à cena para faturar imediatamente. Usará a chancela ao PSDB na cidade (depois de alternância sem reeleição entre petistas e tucanos desde 2008) como sinônimo de aprovação do modo tucano de governar na unidade mais poderosa da federação (o PSDB governa ininterruptamente o Estado de São Paulo há espantosos 25 anos). E também vai tentar replicar a aliança construída em torno de Covas na disputa nacional de 2022, para que dependerá de acordos bem construídos com MDB e DEM, e talvez o PSD.

Não é Doria, no entanto, o único governador a apostar seu prestígio nas urnas. Alguns já saíram derrotados, como Rui Costa (PT) em Salvador (BA), Eduardo Leite (PSDB) em Porto Alegre (RS) ou Romeu Zema (Novo) em Belo Horizonte (MG) – derrota por W.O., dada sua omissão absoluta das disputas.

Agora, alguns chefes de Estados estão em disputas renhidas. Flávio Dino (PCdoB) apostou na tática de dispersar seus aliados no primeiro turno em São Luís (MA), e viu um deles, Duarte Jr. (Republicanos), ex-comunista e ex-diretor do Procon local, ir ao segundo turno. Agora enfrenta uma disputa em que o aliado não é o favorito, mas pode surpreender.

Situação semelhante foi vivida por Renan Filho (MDB) em Maceió (AL), que está em situação mais difícil. Alfredo Gaspar (MDB), seu candidato, está atrás de JHC (PSB), filho da velha raposa João Caldas, figura carimbada do baixo clero da Câmara.

Mais dramática é a situação em Pernambuco. Seis anos depois da morte de Eduardo Campos, o “eduardismo” enfrenta seu primeiro risco real de derrota, e em família. Os técnicos promovidos pelo neto de Miguel Arraes vão mostrando não ter o mesmo talento de promover sucessores que ele, e a família Campos, agora liderada por dona Renata, assiste à contestação “em casa” com a candidatura de Marília Arraes (PT). O governador Paulo Câmara (PSB), portanto, é um coadjuvante pouco relevante numa disputa em que o clã tem o protagonismo.

No Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB) adotou uma postura semelhante à de seu antecessor, ex-aliado e hoje rival Paulo Hartung: ficou mais ou menos no muro no primeiro turno. Agora, embarcou na campanha do petista João Cozer, um veterano que pode voltar a comandar Vitória caso supere o Delegado Pazolini, apoiado pelas forças bolsonaristas, como Damares Alves e Magno Malta.

Em Goiás, Ronaldo Caiado (DEM) vive uma contradição: teve boas vitórias nas cidades médias e menores, mas vai levando um vareio em Goiânia, e diante de um adversário que está entubado com covid-19 desde 26 de outubro, o que mostra desgaste do governo do Estado na capital. O candidato apoiado por Caiado não é do DEM, mas do PSD, o senador Vanderlan Cardoso. Sua péssima performance não pode ser considerada surpresa: ele já tinha sido derrotado em 2018 em Goiânia, quando foi eleito senador.

Quem está fora da disputa do segundo turno é o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB): derrotado no primeiro turno, quando lançou o primo José Priante em Belém, se manteve neutro na disputa ultrapolarizada entre Edmilson Rodrigues (PSOL) e Delegado Egushi (Patriota), candidato com perfil bolsonarista. O MDB procurou se manter afastado da briga.

 

 

 

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