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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Da Vera: Topam tudo para ser ministros?

Vera Magalhães

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Jair Bolsonaro parece que estabeleceu para seus ministros um campeonato diário de que tipo de concessão estão dispostos a fazer para manterem a cabeça colada ao pescoço e o cargo.

O presidente Jair Bolsonaro na rampa do Palácio do Planalto durante manifestação a favor do governo no domingo, 17

O presidente Jair Bolsonaro na rampa do Palácio do Planalto durante manifestação a favor do governo no domingo, 17 Foto: Gabriela Biló/Estadão

Essa gincana inclui:

  • aceitar interferências em suas pastas sem chiar;
  • aceitar participar de atos vexatórios, como pronunciamento para falar do aquecedor da piscina do Alvorada e manifestação golpista com direito a saudação a la Hitler na rampa do Planalto;
  • aceitar receitar remédio sem comprovação científica como protocolo no SUS;
  • aceitar limpar a barra do presidente em depoimentos em inquéritos judiciais;
  • colocar a ideologia acima das convicções;
  • aceitar doses diárias de fritura e descompostura calados;
  • fingir que acreditam que estão prestigiados enquanto o presidente os engana e segura medidas pedidas por eles em público;
  • abrir mão da própria biografia para tentar salvar a do chefe.

Cada uma e muitas outras das “provas de competência” exigidas para se manter no primeiro escalão do regime Bolsonaro vem sendo cumprida à risca pelos que preferem manter o posto a salvar a própria história.

A ida de 11 integrantes do primeiro escalão a mais um ato de conotação antidemocrática neste domingo é a prova de que nem a iminência da revelação da grotesca reunião ministerial de 22 de abril atiçou algum sentido de autopreservação por parte dessas pessoas.

Os que saíram até as revelações de Sérgio Moro, ele incluído, tentarão de alguma forma salvar a própria história dizendo que não coadunaram com os desmandos de Bolsonaro. Há dúvida se, em muitos casos, como o do ex-juiz da Lava Jato, conseguirão se dissociar totalmente do bolsonarismo. Os que ficaram apesar de tudo, mesmo diante da condução do presidente na pandemia, e ainda aceitam fazer figuração nesses atos grotescos, esses têm um encontro inexorável com a História, no qual a credencial de gado não contará pontos favoráveis.

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