Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Da Vera: Um Direito só para Lula

Vera Magalhães

Em 2016, o PT lançou uma campanha de mobilização e vaquinha cujo título era um bom prenúncio do que viria a ser a defesa do ex-presidente Lula nos anos seguintes: “Por um Brasil Justo para Todos e para Lula”. A Justiça deveria ser uma para todos, e outra para o ex-presidente. Depois de mais de um ano de incessante campanha #LulaLivre, eis que, agora, ele estufa o peito para dizer que não aceitará a progressão de regime para o semiaberto, pois não estaria disposto a trocar sua dignidade pela liberdade.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ex-presidente do Brasil

Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ex-presidente do Brasil. Foto: André Dusek/Estadão

Trato dessa politização de todas as fases dos processos do petista na minha coluna desta quarta-feira no Estadão. O slogan parece inócuo do ponto de vista jurídico: desembargadores, procuradores e advogados frisam que não cabe ao preso decidir se vai ou não aceitar a progressão de regime caso ela seja determinada pela Justiça. Além disso, nada impede que Lula vá para casa e continue tentando anular a sentença por corrupção no caso do triplex, por meio dos recursos que já interpôs, como o habeas corpus em que argui a suspeição de Sergio Moro.

A defesa de Lula sempre foi mais jurídica do que técnica. Não são poucos os advogados que lograram êxito com réus menos vistosos da Lava Jato a apontar que, se ficassem na estratégia eminentemente jurídica e legal, os (caros e numerosos) defensores do petista poderiam ter obtido mais vitórias para ele do que conseguiram.

Tudo o que sabemos sobre:

JustiçaLulaprogressão de regimeDa Vera