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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Da Vera: Uma ‘prioridade’ nada urgente

Vera Magalhães

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Em entrevista ao Estadão nesta semana, Jair Bolsonaro disse que a prioridade deste ano é a aprovação da reforma tributária. Se é, não parece.

Até hoje não existe sequer um esboço da proposta do governo. O presidente, nesta semana, arranjou um arranca-rabo completamente desnecessário, inócuo e agressivo com os 27 governadores para lacrar com sua base radical das redes sociais. Fez um “desafio” impossível de ser cumprido dos dois lados e que, se fosse, representaria apertar alguns furos no desacerto financeiro e fiscal dos Estados, que estariam cada vez mais de pires na mão atrás da União.

Para se aprovar qualquer reforma tributária, o apoio dos governadores é condição precípua. O clima entre eles, mesmo aqueles que são naturalmente dóceis com Bolsonaro, como Romeu Zema, de Minas, é de inconformismo pela forma desrespeitosa com que foram tratados.

Além disso, Paulo Guedes insiste em temas que já foram rechaçados na discussão tributária. Inclusive pelo próprio Bolsonaro! Taxar compras online, como quer o setor do comércio e defendia o já defenestrado Marcos Cintra, e os produtos do “pecado”, como cigarro e bebidas. Sendo que não se sabe com segurança quanto isso permitiria abater dos tributos que incidem sobre a folha de pagamentos. E sendo que o Congresso já avisou de todas as formas que não topa essa empreitada.

Bolsonaro não consulta Guedes na hora de enveredar para a guerra tributária com os Estados, e este ignora a orientação do presidente ao insistir num modelo de reforma que ele já disse que não vai bancar. Se a prioridade do ano é tocada com esse grau de desarticulação e amadorismo, o prognóstico para o andamento das reformas neste ano, de fato, não é auspicioso.