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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Da Vera: Vitória de Maia e alerta para Guedes

Vera Magalhães

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A aprovação em dois turnos no mesmo dia da proposta de e emenda à Constituição que pereniza o Fundeb como fonte de financiamento da educação básica e aumenta seus recursos foi uma vitória do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), no momento em que o governo tenta tirar de sua órbita o Centrão e passar a ditar a pauta de votações no Legislativo. O resultado mostrou que ambas as coisas estão longe, bem longe de se concretizarem.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, cede seu lugar à mesa ao deputado Felipe Rigoni. Foto: Maryanna Oliveira/Câmara dos Deputados

A investida de Jair Bolsonaro sobre os partidos que compõem o que se caracterizou chamar de Centrão começou por PP, PL e PRB, partidos que até então eram muito próximos a Maia. Incluiu o PSD de Gilberto Kassab em seguida. Os objetivos principais do presidente ao dar uma guinada no discurso, abrir a negociação fisiológica de postos-chave do governo e fazer a tal articulação política que antes estigmatizava eram dois: minar a força de Maia e escapar do impeachment. Como cabe a Maia a iniciativa de instalar ou não um processo de impeachment, na verdade, é um objetivo “dois em um”.

Funcionou, a princípio. Com o controle de Bolsonaro sobre a PF, os atos truculentos incentivados pelo presidente e a sem-cerimônia com que partidos passaram a se servir no bufê de cargos e verbas, Maia recolheu os flaps nos últimos meses. A ponto de o protagonismo político no enfrentamento às arbitrariedades de Bolsonaro passar ao Congresso.

Mas o presidente da Câmara, na verdade, estava olhando o terreno e armando uma estratégia para não ser bypassado em seu território, o da agenda legislativa. Escaldado pelo estilo de Paulo Guedes de alardear grandes feitos, mas não combinar com os políticos, ignorou os avisos de que a reforma tributária iria para o Congresso “amanhã” e colocou para votar o Fundeb, pauta essencial ao País, mas delicada para o governo, pelo aumento de gastos que implica.

Guedes tentou reagir na undécima hora. Fez uma proposta de afogadilho para o Fundeb, tentando aproveitar o ensejo para arrumar recursos para outro programa que está em fase de execução eterna, o Renda Brasil, no fim de semana anterior à votação. E ainda fez a cena de ir pessoalmente ao Congresso levar um prefácio da reforma tributária, para reforçar a narrativa de que está forte, de que a sua agenda não foi eclipsada pela pandemia e pelo populismo que Bolsonaro começa a abraçar e confiante de que o Centrão, agora, era governista.

A votação do Fundeb foi um adeus às ilusões. O governo ficou a ver navios, reduzido a sete integrantes do seu exército brancaleone mais estridente, os únicos a votarem contra a proposta que injeta mais recursos na Educação.

A reforma tributária foi recebida com ceticismo pelos parlamentares, que já estão muitas casas à frente nessa discussão e viram ser entregue uma proposta que nem pode ser chamada de tímida, uma vez que só enfrenta um tributo. Além disso, a expectativa de uma CPMF que fica rondando o debate predispõe o Legislativo contra o governo.

Maia deve tentar aproveitar o vento a favor trazido pelo Fundeb para reorganizar seus exércitos, com vista principalmente à definição de seu candidato à própria sucessão. O PP, antes favorito, se mostrou inconfiável pelo chamego de Arthur Lira (PP-AL) com Bolsonaro. Ainda assim, há nas hostes do partido um nome próximo ao presidente da Câmara, Aguinaldo Ribeiro. Hoje ele divide com o presidente do MDB, Baleia Rossi (SP), o favoritismo na bolsa de apostas interna para a eleição da Mesa em 2021.

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