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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Damares confirma que ‘iniciação sexual tardia’ será política pública

Gustavo Zucchi

Damares Alves confirmou que vai incentivar a “iniciação sexual tardia” como política pública de combate à gravidez na adolescência. Em nota emitida pelo Ministério das Mulheres, Família e Direitos Humanos, a ministra confirma que “está em formulação a implementação de política pública com abordagem sobre os benefícios” da abstinência sexual para jovens e defende a medida.

“O Ministério ressalta que estudos científicos apontam resultados exitosos dessa alternativa de iniciação sexual em idade tardia, considerando as vantagens psicológicas, emocionais, físicas, sociais e econômicas envolvidas, sem que isso implique em críticas aos demais métodos de prevenção existentes”, diz a nota. Ao falar de “estudos científicos”, a nota dá o link para um site bolsonarista que cita um estudo feito com mil adolescentes no Chile.

Masa medida é contestada por diversos outros estudos, como o publicado no ano passado pelo American Journal of Public Health. “Os milhões de dólares gastos em educação pró-abstinência não tiveram efeito no índice de adolescentes grávidas, embora os estados conservadores, que sofreram mais com índices de gravidez na adolescência, são os mais responsivos em mudanças no financiamento educação sexual”, conclui.

Por aqui, o ministério afirmou que “estudos estão sendo aprofundados e a política pública ainda está em construção”. “Dessa forma, não há uma previsão de quanto deve ser gasto e de quais ações serão realizadas”, afirmam. “A proposta é oferecer informações integrais aos adolescentes para que possam avaliar com responsabilidade as consequências de suas escolhas para o seu projeto de vida. Dessa forma, essa política está sendo considerada como estratégia para redução da gravidez na adolescência por ser o único método 100% eficaz.”