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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Damares pede para PF apurar vazamento de dados de menina vítima de estupro

Cassia Miranda

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A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, pediu nesta quinta-feira, 20, que a Polícia Federal investigue o vazamento de dados sigilosos da menina de 10 anos que engravidou após ser estuprada pelo tio em São Mateus, no Espírito Santo. No domingo, 16, a militante de extrema-direita Sara Giromini, que tem ligações com a pasta chefiada por Damares, foi uma das pessoas a divulgar nas redes sociais o nome da criança e o endereço do hospital onde seria realizado o procedimento de aborto.

Ministra Damares Alves Foto: Dida Sampaio/Estadão

Em nota, Damares solicita ao ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, o encaminhamento do caso à PF, além da articulação com a polícia do Espírito Santo para o possível indiciamento dos responsáveis.”Estamos trabalhando para garantir que todas as providências para o esclarecimento dos fatos sejam tomadas. Não iremos deixar nada passar com relação a esse triste caso. Chega de crianças e adolescentes sofrendo abusos neste país! Chega de impunidade”, disse a ministra.

Na segunda-feira, 17, a pasta já havia divulgado uma nota negando que técnicos do ministério tivessem acesso ao nome da criança ou endereço da família, rejeitando que o vazamento dos dados tivesse partido do governo. No entanto, conforme mostramos ontem no BRP, o deputado Marcelo Freixo (Psol-RJ) protocolou requerimento para convocar Damares a prestar esclarecimento na Câmara sobre o vazamento após identificar uma contradição entre a nota do ministério e uma postagem da ministra nas redes sociais.

Ontem, o Ministério Público do Espírito Santo denunciou Sara e cobrou uma indenização de R$ 1,32 milhão. Em ação civil, o MP argumenta que a conduta adotada pela extremista “está incluída em uma estratégia midiática de viés político-sensacionalista, que expõe a triste condição da criança de apenas 10 anos de idade”, e que a divulgação dos dados pessoais da criança contraria o que está disposto no Estatuto da Criança e do Adolescente.