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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Damares promete abrir fogo contra a Netflix

Gustavo Zucchi

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A ministra das Mulheres, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, prometeu comprar uma briga que tem deixado os ânimos acirrados entre na ala mais “ideológica” dos apoiadores do presidente. Damares disse estar “estudando” medidas a serem tomadas contra a plataforma de streaming Netflix. O motivo é o filme franco-senegalês “Cuties”, que deu o prêmio de melhor direção para Maïmouna Doucouré no Festival de Sundance.

Conservadores estão acusando o filme de promover a sexualização infantil, especialmente por causa do pôster do Netflix, que mostra um grupo de meninas em um concurso de dança. Nos Estados Unidos, o senador republicano Ted Cruz acionou o Departamento de Justiça para “investigar se tanto a Netflix, seus executivos ou seus produtores estão violando leis federais contra a produção e distribuição de pornografia infantil”.

Em terras tupiniquins, apoiadores de Bolsonaro, que fecharam os olhos para as piadas de duplo sentido feitas pelo presidente com uma youtuber de 10 anos durante a live da última quinta-feira, estão promovendo um boicote contra a Netflix, acusando a plataforma de incentivo à pedofilia.

A Netflix, por sua vez, reconheceu que o pôster de divulgação foi “inapropriada” e substituiu a imagem. Ao contrário do que é pregado na internet, o filme traz uma crítica à hipersexualização de jovens, contrapondo a situação da protagonista que enfrenta uma família com dogmas islâmicos rígidos  com suas descobertas adolescentes.

“Não vamos ficar de braços cruzados. Deixa comigo”, escreveu Damares em seu Twitter. “Já estudamos que medidas podem ser tomadas”, completou a ministra, prometendo buscar um jeito de “vetar” a obra.

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