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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

David Miranda no radar do Coaf

Equipe BR Político

O deputado federal David Miranda (PSOL-RJ) fez “movimentações atípicas” de R$ 2,5 milhões em sua conta bancária entre o início de abril de 2018 e o final de março de 2019, segundo aponta relatório enviado pelo Coaf ao Ministério Público do Rio de Janeiro.

O parlamentar é casado com Glenn Greenwald, editor do site The Intercept, que tem divulgado mensagens atribuídas a autoridades da Lava Jato. Segundo o Globo, o documento foi encaminhado dois dias após o site começar a publicar as reportagens.

O MP chegou a solicitar a quebra dos sigilos bancário e fiscal do parlamentar, mas o juiz Marcelo da Silva, da 16ª Vara de Fazenda Pública do Rio, negou o pedido. A decisão determina que, antes de adotar alguma medida nesse sentido, o deputado e os demais envolvidos nas suspeitas — quatro assessores e ex-assessores — sejam ouvidos.

O deputado David Miranda (PSOL-RJ) no plenário da Câmara

O deputado David Miranda (PSOL-RJ) no plenário da Câmara. Foto: Michel Jesus/Câmara dos Deputados

O relatório feito pelo Coaf não tem relação direta com o deputado, já que foi feito no âmbito de uma investigação maior, para apurar ilegalidades em gráficas de Mangaratiba, município na região metropolitana do Rio. Como o parlamentar contratou o serviço de uma delas, suas movimentações entraram no radar do órgão federal.

Também ao Globo, a equipe de Miranda afirmou que o cargo de deputado não é sua única fonte de renda e que depósitos fracionados detectados pelo Coaf vêm de uma empresa de turismo, da qual é sócio com Greenwald. Ele não detalhou os serviços prestados. Também acusou o órgão de retaliação à divulgação de mensagens atribuídas a procuradores da Lava Jato.