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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

De formas diferentes, novo coronavírus entrou pelo menos cem vezes no País

Equipe BR Político

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Estudo feito por instituições britânicas e brasileiras  e publicado na quinta-feira, 23, pela revista Science revelou que o novo coronavírus entrou no Brasil pelo menos cem vezes de maneiras distintas. O trajeto feito pelo vírus teve, na grande maioria das vezes, a Europa como origem. Na época, a Itália era considerada epicentro da pandemia no mundo. A maior parte dessas introduções foi identificada em locais com maior incidência de voos internacionais como São Paulo, Minas, Ceará e Rio de Janeiro.

Aeroporto de Guarulhos

Aeroporto de Guarulhos Foto: Werther Santana/Estadão

Apenas uma pequena parcela dessas introduções, no entanto, resultou nas linhagens que se dispersaram por transmissão comunitária no País, indica o sequenciamento de 427 genomas do novo coronavírus SARS-CoV-2 feito pelos pesquisadores entre março e abril.

“Para poder fazer uma vigilância epidemiológica eficiente temos que saber como o vírus chegou, como fio transmitido, quais cepas estão circulando e se estão sofrendo mutações”, explicou Ana Tereza Vasconcelos, coordenadora do Laboratório de Bioinformática do Laboratório Nacional de Computação Científica LNCC/MCTI, onde as amostras foram processadas. “Vamos continuar fazendo esse trabalho para acompanhar a disseminação do vírus e eventuais mutações.”

Os resultados demonstram que medidas de prevenção, como fechamento das escolas e comércio no final de março, embora insuficientes, ajudaram a reduzir a taxa de transmissão do vírus (para quantas outras pessoas uma infectada transmite a doença) que foi estimada no início do período em superior a 3 para valores entre 1 e 1,6 tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro. O ideal para que não haja disseminação do vírus é que esse número esteja abaixo de 1, informou o Estadão.