Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Depois de ameaça de Bolsonaro, Mourão assume proposta sobre expropriação

Equipe BR Político

Exclusivo para assinantes

O vice-presidente Hamilton Mourão assumiu o documento de uma proposta em discussão no Conselho da Amazônia que sugeria a expropriação de propriedades em caso de crime ambiental e lamentou o vazamento do documento que provocou reação negativa do presidente Jair Bolsonaro nesta quinta-feira, 12. A intenção do documento revelado pelo Estadão era conter o desmatamento e queimadas ilegais em meio a pressão internacional. Bolsonaro chamou a proposta de “delírio” e ameaçou demitir quem fosse responsável.

“Eu me penitencio por não ter colocado um grau de sigilo nesse documento, se eu tivesse colocado um grau de sigilo, a pessoa que vazou o documento estaria incorrendo em crime previsto na nossa legislação”, afirmou no Palácio do Planalto. “Não é decisão. Já é publicado como se fosse decisão. Aí gera um incômodo para o presidente.”

“Não existe nenhuma hipótese nesse sentido. E se alguém levantar isso aí, eu simplesmente demito do governo. A não ser que a pessoa seja indemissível”, disse na manhã de hoje. Mourão, eleito na chapa de Bolsonaro em 2018, não é passível de demissão.

O vice afirmou que a proposta era apenas um estudo e “estudo não tem intenção”. Segundo ele, as ideias seriam debatidas ainda pelos ministérios antes de chegar no presidente. “Passam pelos ministérios e o ministério vai chegar e dizer ‘isso aqui pode, isso não pode, isso aqui tem que ser uma nova legislação, isso aqui nós não temos condições de fazer’ aí depois que se fecha todo esse ciclo se submete ao decisor que é o presidente da República, que ainda pode chegar e dizer ‘não quero isso, não quero aquilo'”, disse.