Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Deputado arranca quadro de exposição na Câmara e é acusado de racismo

Equipe BR Político

Às vésperas do Dia da Consciência Negra, o deputado federal Coronel Tadeu (PSL-SP), arrancou da parede da Câmara uma imagem que fazia parte de uma exposição sobre o racismo no Brasil. Na imagem, havia a ilustração de um policial, de arma na mão, e um rapaz negro estendido no chão, com a camisa do Brasil e algemado. No cartaz, lia-se a frase “O genocídio da população negra”.

O autor da obra, o cartunista Carlos Latuff condenou a ação. “Essa agressão de um policial militar, que por acaso também é um parlamentar, contra uma charge exposta no Congresso Nacional e que denuncia a violência policial, nos leva a seguinte reflexão. Se fazem isso contra um cartaz, imagine contra gente de carne, osso e pele negra!”, escreveu no Twitter.

O ato foi visto como racista e provocou reação imediata da de deputados presentes na Casa. “Ele não suportou uma exposição que registra a presença negra na história do Brasil nos diversos campos. E veio aqui e arrancou parte da exposição, onde havia a denúncia de um genocídio negro no Brasil”, afirmou a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ). “Ele arrancou tudo, destruiu tudo e cometeu o crime de racismo e quebra de decoro”, acrescentou. Jandira e outros parlamentares, como a deputada Benedita da Silva (PT-RJ), prometeram levar o caso ao Conselho de Ética da Câmara.

Desde o início do dia, a imagem arrancada por Tadeu vinha causando desconforto aos deputados da chamada “bancada da bala”. Mais cedo, o deputado federal Capitão Augusto (PL-SP) já havia encaminhado ao presidente da Casa, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), um pedido para que o cartaz fosse retirado da exposição.

Após arrancar o cartaz, o coronel Tadeu justificou a ação. “Fiz um protesto, isso não dá, maioria dos PMs tbm é negra”, afirmou ao BRP.