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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Deputado pede para comissão convocar Crivella e ‘guardiões’

Alexandra Martins

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Parece uma liga de super-heróis pelo nome que leva, Guardiões de Crivella, mas, longe disso, trata-se de uma milícia eleitoral montada com servidores públicos municipais para barrar o trabalho da imprensa na porta de hospitais do Rio de Janeiro. O caso chegou ao Ministério Público estadual, à Câmara Municipal da capital fluminense, com pedido de impeachment, que deve ser analisado na quinta, 3, e, agora, à Câmara com o pedido do deputado Alexandre Padilha (PT-SP) para que o prefeito Marcelo Crivella (PSC) seja convocado por videoconferência pela Casa legislativa para falar do assunto na Comissão Externa de enfrentamento à covid-19.

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella. Foto: Gabriela Biló / Estadão

No requerimento ao colegiado, o parlamentar cita ainda o episódio de deputados bolsonaristas que “invadiram” um hospital de campanha em São Paulo para constranger o prefeito Bruno Covas (PSDB). “Assim, seja por invasões a hospitais, seja pela constituição de verdadeiras milícias formadas por servidores públicos para intimidar usuários e jornalistas, entendo como importante debatermos o tema nesta comissão para traçarmos um diagnóstico e, com isso, pautar nossa atuação na proteção do atendimento à saúde, seja de usuários, profissionais de saúde, seja de quem realiza trabalho jornalístico a fim de possibilitar maior transparência e controle público na prestação do serviço”, justifica.

Segundo revelado pela TV Globo, funcionários pagos com dinheiro público são organizados em um grupo de WhatsApp denominado “Guardiões do Crivella”. Diariamente, eles são enviados a portas de unidades de saúde da cidade para atrapalhar gravações e apurações sobre problemas enfrentados pela população com os serviços de saúde prestados pela prefeitura.

O grupo seria organizado por Marcos Paulo de Oliveira Luciano, o Marcos Luciano. Aliado de longa data do prefeito, ele é atualmente assessor especial do gabinete de Crivella, com salário de R$ 10,5 mil mensais. Sob sigilo, membros do esquema contaram para a reportagem que o trabalho é feito sob constante ameaças de demissão e que as reuniões do grupo são feitas de forma secreta.