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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Derrota acachapante mostra PSDB hostil a Doria

Vera Magalhães

“Doria precisa entender que o PSDB não é o Lide.” A frase, dita não por um adversário, mas por um aliado, dá a dimensão da derrota que o governador de São Paulo sofreu nesta quarta-feira, quando a Executiva Nacional do PSDB, ou o “Novo PSDB”, como Doria passou a propagandear, derrubou pelo placar de 30 votos a 4 dois pedidos de expulsão do deputado e ex-presidenciável Aécio Neves. O presidente do partido, que colocou as moções em votação mesmo tendo todas as evidências de que a derrota seria acachapante, é o ex-deputado federal por Pernambuco Bruno Araújo, alçado ao comando da sigla por Doria, mas que tem um currículo de proximidade com Aécio que incluiu ter sido indicado ministro das Cidades de Michel Temer pelas mãos do mineiro. Assunto Aécio está encerrado em definitivo, vaticinou ontem Araújo.

Da mesma maneira, integrantes da Executiva ligados a outros aliados recentes de Doria e antigos de Aécio, como o também ex-ministro Antonio Imbassahy, se abstiveram de votar. Interlocutores do governador dizem que esses votos não mudariam o placar. Pode ser. Mas o estado de coisas mostra que o governador montou um time que não entrega o que ele espera para que o partido seja veículo para sua candidatura presidencial em 2022. Isso embora seja difícil saber o que ele espera. Aliados questionam decisões de Doria como a filiação do ex-bolsonarista e ex-ator pornô Alexandre Frota. “Em três meses ele está falando mal do Doria”, prevê um paulista.

Os únicos que votaram pela expulsão do mineiro foram paulistas: o prefeito de São Bernardo, Orlando Morando, o deputado Samuel Moreira, o secretário de saúde da prefeitura de São Paulo, Edson Aparecido, e o tesoureiro nacional do partido, César Gontijo.

Aliás, o “fator São Paulo” é um dos mais apontados por tucanos na resenha da derrota de Doria: a arrogância com que o governador estaria tentando moldar o partido a seus planos, expressada na comparação entre a sigla e o grupo empresarial que ele comandava antes de ingressar na política. Os estilhaços recairão sobre outro paulista, o prefeito da capital, Bruno Covas, que entre tapas e beijos com Doria disse que sairia do partido se Aécio não fosse expulso: e agora, Covas?

Mineiro, Aécio atraiu figuras de fora de Brasília para votarem em si, relembrou favores, obteve solidariedade (afinal, são muitos os enforcados nessa loja de cordas que virou o ninho tucano) e saiu de lá sorridente, desfilando pelo plenário e obtendo cumprimentos efusivos. Se a nova política não tomar algumas aulas de estratégia, não adianta nada slogans bons para hashtags e personalidades midiáticas. O PSDB está no auge de sua crise, e a saída não parece fácil nem próxima.