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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Desalento na equipe econômica com reajuste da PM do DF e demora no veto

Vera Magalhães

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A decisão de conceder reajuste aos policiais militares do Distrito Federal caiu como uma bomba de desalento no Ministério da Economia. O reajuste já havia sido acertado desde o início do ano entre Jair Bolsonaro e o governador do DF, Ibaneis Rocha. Foi uma decisão tomada em conjunto com a reformulação do Fundo Constitucional que financia as despesas do Distrito Federal.

O ministro da Economia, Paulo Guedes. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Mas o governo local atrasou muito a decisão. E conceder o reajuste justamente agora, quando a equipe de Paulo Guedes tenta justamente convencer Bolsonaro a bancar o congelamento de salários de todo o funcionalismo, inclusive de profissionais da área de saúde, por um ano e meio, “pega muito mal”, conforme admitiu ao BRPolítico um integrante do Ministério da Economia.

Para o time que tenta administrar a expectativa de explosão da dívida e do desemprego e queda acentuada do PIB, qualquer sinal de que o governo vai relaxar o controle de gastos é catastrófica para a imagem que o Brasil projeta para os investidores e os organismos econômicos de governança global, aos quais terá de recorrer na recuperação.

Quando Bolsonaro diz publicamente que vai atender a recomendação técnica de Guedes e vetar a possibilidade de reajustes dos servidores, e depois enrola e deixa passar o aumento aos policiais de uma unidade da federação governada por um aliado, ele desautoriza o ministro da Fazenda e passa um “sinal errado desnecessário” a esses atores, segundo o auxiliar do ministro.

Com o reajuste aprovado, o governo federal ainda terá de deixar mais uma “digital” na lambança: terá de enviar ao Congresso, em plena crise, uma medida provisória abrindo crédito para o aumento. E até agora o veto aos reajustes ainda não saiu, uma semana depois de Bolsonaro prometê-lo publicamente e ao vivo diante de Guedes em sua “marcha” até o STF.