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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Desmatamento ‘recorde’ na Amazônia é ainda maior

Equipe BR Político

A taxa de desmatamento recorde de 29,5% revelada pelo Inpe na semana passada não incluiu uma área devastada de 2.133 km², que foi desmatada de 1º de agosto a 13 de novembro. Ou seja, o desmatamento efetivo da floresta é ainda maior. Isso porque os dados do instituto usados para fazer o cálculo não levam em conta o corte seletivo de madeira na Amazônia, que ocorre quando apenas algumas árvores são retiradas para a exploração da madeira.

Essa desflorestação mais esparsa foi medida pelo sistema Deter do instituto, que revelou que, em apenas três meses, o corte seletivo afetou 2.133 km² da floresta – o que equivale a área do Município de São Paulo multiplicada por 1,4. Esse número também supera em 35% o corte seletivo feito na Amazônia ao longo dos 12 meses anteriores.

Como informa o Estadão, o corte seletivo se refere ao primeiro momento de degradação da floresta, quando árvores mais nobres, como ipê e jatobá, são retiradas para exploração madeireira. É a etapa inicial de um processo que vai rareando a floresta até o ponto em que ela é queimada ou cortada totalmente – o chamado corte raso.

Como você já leu aqui no BRP, o presidente Jair Bolsonaro estuda liberar a exportação de madeira in natura, que hoje é ilegal. A madeira nativa, atualmente, só pode ser exportada após várias etapas de processamento que possibilitam maior fiscalização. Caso a proposta de Bolsonaro seja concretizada, o cenário de degradação tende a se agravar ainda mais.