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por Marcelo de Moraes

Diante do desastre de Manaus, Bolsonaro repete mantra de ‘tratamento precoce’

Gustavo Zucchi

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Nem a realidade parece fazer o presidente Jair Bolsonaro mudar seu mantra sobre o fictício “tratamento preoce” contra o coronavírus. Com Manaus em um estado catastrófico, sem leitos e com pacientes morrendo devido à falta de oxigênio, Bolsonaro e seu ministro da Saúde, voltaram a falar em medicamentos sem eficácia para tratar da covid-19.

“Manaus não teve a efetiva ação no tratamento precoce, no diagnóstico clinico, e isso impactou muito a gravidade da doença”, disse Pazuello. “É um absurdo temos pessoas no Brasil pleiteando que uma pessoa com covid fique em casa esperando agravar. E depois que agravar vá para um tubo. O porcentual hoje de tubo é de acima de 70% de morte.”

Jair Bolsonaro e Eduardo Pazuello defendendo o fictício ‘tratamento precoce’. Foto: Reprodução

Segundo o ministro, o problema não foi o governo não ter um plano nacional de contenção a doença, ou deixado de manter estado permanente de atenção sobre a quantidade de leitos e o uso de oxigênio. A questão é a chuva na Amazônia que deu início ao segundo ciclo da doença. “No período chuvoso a umidade fica muito alta e você começa a ter complicações respiratórias. Esse é um fator.”

“Foi tirado de mim o poder de falar sobre pandemia. Me deixaram de fora disso. Respeitei a decisão do STF. Alguns querem botar no meu colo e no do Pazuello que somos genocidas. Até pouco meses, o Brasil estava em primeiro no ranking de milhões de habitantes. Agora está em vígesimo. Por que? Porque tem tratamento precoce, não tem outra explicação. Graças ao voluntarismo de milhões de médicos. Não tem efeito colateral”, disse Bolsonaro.

Bolsonaro ainda voltou a bater em Henrique Mandetta, primeiro ministro da Saúde de seu governo que pediu para que as pessoas ficassem em casa e, sem tratamento, só procurassem os hospitais em casos graves. “Ai você lembra a pressa para comprar respirador. Como tinha falta no mercado, passou para R$ 200 mil e foi uma festa. Mas não vou acusar o Mandetta de ter mandado ficar em casa para superfaturar respirador.”