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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Discurso de Bolsonaro ‘não choca mais ninguém’, avalia Stuenkel

Cassia Miranda

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O discurso do presidente Jair Bolsonaro, nesta terça-feira, 22, na abertura da 75ª Assembleia-Geral da ONU repetiu uma tendência vista no ano passado: foi muito mais para o público interno do que para o externo. Essa é a avaliação do pesquisador Oliver Stuenkel, coordenador da pós-graduação em relações internacionais da FGV-SP. Entre a comunidade internacional, ele avalia, o discurso do mandatário brasileiro já não produz o mesmo choque.

Oliver Stuenkel, criador do termo Aliança do Avestruz para se referir ao grupo de países que nega os perigos da covid-19

Oliver Stuenkel é pesquisador e coordenador da pós-graduação em relações internacionais da FGV-SP. Foto: Daniel Teixeira/Estadão

“Um discurso para os eleitores do presidente, não aos outros líderes globais”, disse ao BRP. “Bolsonaro enxerga nessas palestras uma oportunidade para se comunicar e para mobilizar a sua base, o que faz parte dessa compreensão do presidente der ver a política externa como uma ferramenta para animar a sua base”, diz.

Segundo ele, a fala deste ano terá repercussão internacional menor do que a da estreia, em 2019, pois o discurso de Bolsonaro “não choca mais ninguém”, avalia.

Sobre a referência direta de Bolsonaro a Donald Trump, único líder citado pelo presidente brasileiro no discurso, Stuenkel aponta que citações assim são pouco comuns em conferências como a de hoje. Fã declarado do republicano, o Bolsonaro aproveitou sua fala para elogiar o plano de paz da Casa Branca para Israel e Palestina e fazer palanque para o presidente norte-americano, que busca a reeleição.

“Este ano, houve uma maior ênfase no trumpismo, é muito pouco comum um país dar tanto destaque a outro, ou um presidente dar tanto destaque a outro, sobretudo em um contexto pouco consensual como é o caso de Trump”, diz. Ele avalia, no entanto, que como o Brasil entrega pouco aos EUA em pautas internacionais, como na exclusão da Huawei dos leilões pelo 5G e da tentativa de derrubada de Nicolás Maduro da presidência venezuelana, a retórica pró-Trump ainda é importante tanto para Washington quanto para o eleitor bolsonarista.

 

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