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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Disputa pela capitais pode fortalecer futura aliança entre PSDB, DEM e MDB

Marcelo de Moraes

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Nos últimos dias de campanha de uma eleição marcada pelo impacto da pandemia do novo coronavírus, a briga pelas prefeituras das capitais deve ser mais intensa do que a de quatro anos atrás. Em 2016, oito candidatos foram eleitos no primeiro turno, incluindo Palmas, no Tocantins, que, por ter menos de 200 mil eleitores, não realiza segundo turno. Agora, as pesquisas mais recentes indicam que essa situação tende a acontecer apenas em cinco das 26 capitais – de novo incluindo a situação de Palmas. O primeiro turno ocorrerá dia 15 e o segundo, onde for necessário, no dia 29.

Bruno Covas, candidato à reeleição em São Paulo

Bruno Covas, candidato à reeleição em São Paulo. Foto: Patrícia Cruz/Divulgação

Além de poder ser mais disputada do que a votação passada, a campanha deste ano vem apontando vantagem para candidatos de centro ou de centro-direita. E, dentro desse espectro, uma frente partidária, em particular, pode conseguir semear uma importante base eleitoral para a sucessão presidencial de 2022. Nacionalmente, PSDB, DEM e MDB vêm avançando na construção de uma aliança para tentar chegar ao Planalto, possivelmente com uma chapa encabeçada pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB). E, mesmo sem essa aliança conseguir se reproduzir em todas as capitais por conta de interesses regionais, o desempenho dos candidatos dos três partidos mostra que o grupo pode terminar a eleição com um excelente resultado.

Candidatos dos três partidos lideram as pesquisas do Ibope em capitais como São Paulo (Bruno Covas), Rio (Eduardo Paes), Salvador (Bruno Reis), Curitiba (Rafael Greca), Florianópolis (Gean Loureiro), Palmas (Cinthia Ribeiro), Rio Branco (Minoru Kimpara), Goiânia (Maguito Vilella), Macapá (Josiel Alcolumbre), Porto Velho (Hildon Chaves), Natal (Álvaro Dias), Maceió (Alfredo Gaspar) e Teresina (José Pessoa).

Além disso, estão em segundo lugar e podem assegurar uma vaga no segundo turno em Porto Alegre, Cuiabá, João Pessoa, Belém e Boa Vista. Com isso, num cenário de sucesso total, o grupo poderia chegar às prefeituras de 18 das 26 capitais, num desempenho superior a dois terços do total.

Para outros dois possíveis players da corrida presidencial os sinais não são tão bons. O presidente Jair Bolsonaro, que está sem partido desde que deixou o PSL para fundar o malogrado Aliança Pelo Brasil, não tem conseguido alavancar seus aliados nas capitais. Pelo contrário, a parceria parece estar sendo rejeitada. Em São Paulo, o presidente declarou seu apoio a Celso Russomanno (Republicanos). Mas o acordo político, até agora, coincidiu com o início do tradicional derretimento da candidatura de Russomanno. Ele ainda ocupa a segunda colocação, mas cada vez mais ameaçado por Guilherme Boulos (PSOL) e Márcio França (PSB). Nos últimos dias, Bolsonaro, que tem alta rejeição na capital paulista, começou a desaparecer da campanha de Russomanno.

No Rio, a situação é ainda mais complicada. Bolsonaro está apoiando o prefeito Marcelo Crivella, outro candidato do Republicanos – partido ao qual se filiaram seus filhos Flávio e Carlos e a sua ex-mulher Rogéria, mãe dos dois. Mas, desgastadíssimo, Crivella não decola e tem sua presença no segundo turno ameaçada pela deputada estadual Delegada Martha Rocha (PDT). Em Fortaleza, o deputado federal Capitão Wagner (Pros) tem sua imagem associada à do presidente, mas o apoio é mais discreto. Talvez por isso tenha chance de chegar ao segundo turno contra José Sarto (PDT), candidato dos Ferreira Gomes.

O outro grupo que sonha com o Planalto em 2022 é o PT, que segue ainda enfrentando uma rejeição muito grande nas eleições municipais. Em 2016, o voto antipetista foi um dos pontos centrais da eleição e restringiu o PT a apenas uma capital, Rio Branco, no Acre. Agora, a situação pode se repetir já que as pesquisas mostram ligeira vantagem apenas em Vitória, no Espírito Santo.

Isso não significa que a esquerda sairá de mãos abanando. O PCdoB está na frente na disputa em Porto Alegre, com Manuela D’ávila. O PSB pode levar Recife com João Campos. O PSOL lidera em Belém, com Edmilson Rodrigues, e o PDT tenta vencer em Fortaleza, com Sarto, e em Aracaju com Edvaldo Nogueira.

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