por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Fucs: A real sobre os médicos cubanos

José Fucs

A defesa entusiasmada da presença dos cubanos no Mais Médicos, alavancada por partidos e organizações de esquerda como o PT, o PSOL e o MTST, ignora as questões centrais do problema, que levaram Bolsonaro a criticar o programa. Primeiro, ignora que a parceria com Cuba, firmada por Dilma em 2013, foi a forma encontrada pelo PT para financiar o regime cubano, com a transferência de bilhões de dólares ao país. Segundo, releva o fato de que os médicos cubanos recebem só uma pequena parte do que o Brasil paga pelos seus serviços e ainda são proibidos por Cuba — que teme a permanência deles aqui — de trazer os familiares com eles.

Terceiro, pelas regras atuais, os médicos cubanos não precisam passar pelo Revalida, para comprovar seus conhecimentos na área, ao contrário dos médicos brasileiros formados no exterior. Quarto, os próprios médicos brasileiros, por meio de entidades da categoria, foram contrários desde o princípio à vinda dos cubanos, com base nas regras definidas pelo governo petista. Quinto, o que Bolsonaro fez foi colocar essas questões na balança e reafirmar que permitiria a permanência dos cubanos no País e ainda pagaria a eles 100% do valor acertado com Cuba. Por tudo isso, parece que o rompimento unilateral do contrato por Cuba, da noite para o dia, foi uma tentativa de criar uma comoção favorável ao programa, responsabilizando Bolsonaro pelo desfecho do caso — e, pelo jeito, a julgar pelas reações predominantes no noticiário, o regime cubano está conseguindo o que queria. / José Fucs

Notícias relacionadas