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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: A bronca dos senadores

Marcelo de Moraes

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A sessão de hoje da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) mostrou mais um pouco do elevado nível de insatisfação que os senadores sentem pelas suas propostas serem constantemente colocadas de lado em relação a dos deputados. A comissão acabou adiando a votação do projeto de autonomia do Banco Central por causa de um pedido de vistas feita por dois senadores. Mas boa parte dos parlamentares da Casa teme que a proposta acabe sendo posta de lado em favor do texto da Câmara sobre o mesmo assunto e que conta com o aval do governo.

Plenário do Senado

Plenário do Senado Foto: Pedro França/Agência Senado

Ciente desse risco, o senador Plinio Valério (PSDB-AM), autor do projeto original do Senado que trata da discussão sobre o BC, deixou clara sua preocupação pela repetição do problema.

“Com o pedido de vista dos senadores Eduardo Braga e Tasso Jereissati, votação adiada para a próxima semana. Continuamos na luta para que nosso projeto de autonomia operacional do BC seja aprovado aqui no Senado, antes de sermos novamente atropelados por um outro projeto da Câmara”, escreveu Plínio na sua conta do Twitter.

Na semana passada, senadores se recusaram a indicar membros para a comissão mista da reforma tributária por achar que a Câmara iria empurrar suas ideias pela goela abaixo dos senadores. Numa reunião conciliatória, ficou combinado que a comissão mista teria número igual de senadores e deputados em vez de ser dividida proporcionalmente ao tamanho das duas Casas (como há muito mais deputados do que senadores, eles seriam maioria).

Apesar disso, como a insatisfação é antiga, a tendência é que se acirre e complique discussões importantes. Os senadores reclamam que têm sido colocados de lado nas votações das reformas trabalhista (ainda no governo Temer) e previdenciária, em nome de uma celeridade na aprovação das propostas. E já perceberam que o mesmo se repetirá na discussão tributária. Por isso, a reação contra isso pode se tornar um fator de instabilidade a mais no Congresso.